
Notas de US$100 ilustram leve alta do dólar (Foto: Instagram)
O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (29/5), última do mês de maio, com uma leve alta de 0,21%, sendo cotado a R$ 5,042, próximo da estabilidade.
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No último pregão da semana, o mercado financeiro reagiu às informações sobre o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre, ao possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, e à decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
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O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa de Valores do Brasil (B3), se descolou do cenário internacional e fechou o pregão em queda acentuada.
A moeda norte-americana registrou alta de 0,21% no dia, sendo negociada a R$ 5,042, mantendo-se praticamente estável. Durante a sessão, a cotação máxima foi de R$ 5,071 e a mínima de R$ 5,035. No dia anterior, o dólar havia caído 0,57%, fechando a R$ 5,031. Com esse resultado, a moeda dos EUA acumula um ganho de 1,82% em maio e uma perda de 8,12% em 2026 frente ao real.
O Ibovespa, principal indicador da B3, encerrou o pregão em baixa, se distanciando dos principais índices internacionais. O índice fechou em queda de 0,73%, aos 173,7 mil pontos. No dia anterior, havia encerrado em baixa de 0,39%, aos 175 mil pontos. Com isso, a Bolsa brasileira acumula uma queda de 6,53% no mês, mas uma valorização de 8,66% no ano.
No primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do país cresceu 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou praticamente em linha com a média das projeções do mercado.
O crescimento foi impulsionado pela agropecuária, que teve expansão de 2% no período. A indústria cresceu 1% e os serviços 0,5%. Em valores correntes, o PIB somou R$ 3,3 trilhões. Comparado ao primeiro trimestre de 2025, o PIB do Brasil avançou 1,8%, com crescimento na agropecuária (0,7%), indústria (1,6%) e serviços (2,1%).
O PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, é divulgado trimestralmente pelo IBGE. O Banco Central (BC) estima que a economia do país crescerá 1,6% este ano, enquanto o Ministério da Fazenda projeta uma expansão de 2,3%. O mercado financeiro espera um avanço de 1,89% no PIB em 2026.
Economistas e analistas do mercado financeiro consultados pelo Metrópoles avaliaram positivamente o resultado do PIB. No entanto, acreditam que o forte desempenho da economia no início de 2026 levará o Banco Central a adotar uma postura cautelosa em relação à taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou, na quinta-feira (28/5), que classificará as facções brasileiras PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de intensificar o combate ao crime organizado internacional e aumentar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
Segundo o Departamento de Estado, as duas facções serão oficialmente incluídas na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) em 5 de junho. Em comunicado, o governo Trump afirmou que PCC e CV estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e acusou os grupos de ataques contra policiais, servidores públicos e civis.
Os EUA afirmam que as redes das facções se estendem além das fronteiras do Brasil e afetam diretamente a segurança dos Estados Unidos. “O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos”, declarou a pasta.
Fontes ouvidas pelo Metrópoles nesta sexta-feira avaliam que a medida não deve impactar imediatamente o câmbio e o mercado de ações. No entanto, no médio e longo prazo, o mercado financeiro e a economia brasileira podem sofrer com os efeitos da decisão de Trump sobre PCC e CV.
Especialistas acreditam que a classificação dos EUA pode afastar empresas norte-americanas do Brasil, que temem possíveis ligações, mesmo que indiretas, entre setores da economia brasileira e os grupos criminosos. Operações recentes da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público revelaram conexões entre o PCC e setores como combustíveis, mercado imobiliário, fintechs e fundos de investimento.
Com a possibilidade de penalizações criminais por qualquer tipo de “apoio material” ou “serviço”, empresas estrangeiras podem reduzir ou interromper investimentos no Brasil. O aumento do risco nas operações financeiras também poderia afetar o câmbio, elevando o valor do dólar frente ao real.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nas redes sociais que tomará uma decisão final sobre a guerra no Irã, listando exigências dos EUA. Trump afirmou que se reuniria na Sala de Situação da Casa Branca.
Autoridades dos EUA e do Irã chegaram a um acordo para estender o cessar-fogo por 60 dias enquanto discutem o programa nuclear iraniano, mas falta a aprovação de Trump. Agências iranianas negaram a informação.
Trump listou exigências como o Irã nunca obter uma arma nuclear, o Estreito de Ormuz ser aberto para tráfego marítimo irrestrito, remoção de minas subaquáticas, e retirada do urânio enriquecido do Irã pelos EUA.
Trump afirmou que a Marinha dos EUA liberará navios ligados a portos iranianos detidos pelo bloqueio naval. O Estreito de Ormuz é um canal estratégico crucial para a economia global.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirmou que o dólar encerrou o dia próximo da estabilidade em um pregão de baixa amplitude. O mercado reagiu às negociações entre EUA e Irã e aos dados econômicos, mas sem um direcional claro.
No Brasil, os ativos continuam em consolidação, respondendo de forma limitada aos eventos externos. A combinação de juros elevados, fluxo limitado do exterior e ausência de novos catalisadores têm contribuído para um mercado de câmbio mais lateral.
Os mercados internacionais operaram positivamente, sustentados pela expectativa de um acordo entre EUA e Irã, reduzindo prêmios de risco geopolítico. No Brasil, o Ibovespa caiu, pressionado pela queda das ações ligadas ao petróleo.
O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre e 1,8% na comparação anual, em linha com as expectativas. O dado reforça a percepção de uma economia resiliente, mas a atividade mais forte sugere juros elevados por mais tempo.


