Direitos Humanos: uma jornada de lutas e avanços ao longo do tempo

Date:


Direitos Humanos nas ruas de São Paulo (Foto: Instagram)

Direitos Humanos parece uma expressão redundante, já que todo direito é inerentemente humano. No entanto, essa expressão representa uma conquista longa, lenta e dolorosa, que ainda está em curso, enfrentando sacrifícios, abusos e ataques constantes.

++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático

Considere, por exemplo, a situação das crianças: por milhares de anos, elas foram vistas como objetos, com valor apenas pelo retorno material ou financeiro que podiam proporcionar. Apenas recentemente, com os primeiros avanços contra a mortalidade infantil, elas começaram a ter o direito de serem amadas. Personagens como Oliver Twist e David Balfour foram criados para mostrar a tragédia da infância. Jean-Jacques Rousseau, em seu Émile, revolucionou a educação ao tratar a criança como criança. No entanto, mesmo durante o Iluminismo, as crianças eram tratadas como matéria-prima: a glória de Samuel Slater, que criou a indústria têxtil nos EUA em 1790, é manchada pelo fato de suas máquinas serem operadas por crianças de quatro a dez anos, economizando assim os salários dos adultos. Quando Charles Dickens e Robert Louis Stevenson escreveram, a proteção legal na Inglaterra havia avançado: em 1819, foi proibido que crianças menores de nove anos trabalhassem em minas de carvão, e menores de 16 anos não podiam trabalhar mais de doze horas diárias, sete dias por semana.

++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece

Permita-me, leitor, desdobrar esse detalhe dos Direitos Humanos em dois para trazê-lo aos nossos dias: o do trabalho e o da responsabilidade.

Atualmente, está em votação a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Isso envolve a modificação de um artigo muito criticado da Constituição, o sétimo, que em seu inciso XIII estabelece limites de 8 horas diárias ou 44 horas semanais. Muitos empresários e parlamentares resistem, alegando perdas financeiras com a reforma; mas é puro cinismo, pois nunca seguiram ou seguirão voluntariamente a Constituição e as leis. Pedem prazos para mitigar os prejuízos e viabilizar a reforma. Há quase cem anos, em 1936, os franceses adotaram o regime de 40 horas semanais e, no início do século XXI, passaram para 35 horas. Contudo, como todos sabem, os franceses têm uma expectativa de vida um pouco maior que a dos americanos, que não regulam o tempo trabalhado e estão vendo sua expectativa de vida diminuir. Na França, eles condenam ex-presidentes por corrupção, como farão esta semana com Sarkozy, que aceitou dinheiro de Kadhafi para sua campanha presidencial, ao contrário dos americanos que deixaram Trump distribuir cheques de 1 milhão de dólares.

Os franceses! Querem revogar expressamente o Code Noir, que definia como tratar os escravos, revogado tacitamente na Revolução. Ele inspirou os Black Codes nos EUA, que vigoravam mesmo em estados sem escravidão — e em muitos lugares do Sul continuaram a valer mesmo após a abolição, nas leis Jim Crow, que Trump, sempre ele, quer restaurar.

Faço uma pausa para comentar a foto do queridinho do mercado, quase tocando o ombro de Trump. Se tivesse coragem, puxaria aquele fio da peruca que estava se soltando. Verdade que houve uma foto com o 02 e o heroico Figueiredo em que a dupla se manteve imóvel, com o mesmo polegar sobre a manga e o mesmo sorriso forçado do desonesto — talvez isso não os distinga, melhor dizer o nome — DJT. Que nem se importou que Rubinho declarou o PCC e o CV como organizações terroristas, que medo!

Outro objetivo do programa é reduzir a “maioridade penal” — os dezoito anos que o art. 228 da Constituição fixa como limite para inimputabilidade penal. Como as crianças são responsáveis por uma fração mínima das mortes violentas — ao contrário da polícia, que é responsável por 1 em cada 7 mortes violentas (em São Paulo e Rio, 1 em cada 5) —, eles não acham que podem reduzir as mortes colocando crianças no mesmo presídio que os outros 900 mil presos, mas acreditam que o tema pode render muitos votos.

Não é por falta de dinheiro que eles não vencerão a eleição de Lula. Afinal, como todos sabem após a declaração de Boy-Neto à Malu-a-jato, o Bom-Flávio foi ao Vorcaro para cobrar dinheiro para a campanha, algo “normal”. Ele sabia que os milhões de dólares precisavam passar pelo Texas, pois estavam saindo de um paraíso fiscal, e o Vorcaro não daria dinheiro ganho honestamente no Brasil, já que estava congelado pelo Banco Central. E o Castrinho, surpresa, ninguém sabia que ele era um grande bandido.

Como eu dizia, a história dos Direitos Humanos é longa e cheia de tristezas, mas após os grandes marcos de 1789 (França) e 1948 (Nações Unidas), continuamos avançando, ainda que devagar. Já há até bolsonaristas que admitem que eles devam ser aplicados, claro, a humanos direitos, não a qualquer vagabundo.

Se Deus quiser, e Ele há de querer, os Direitos Humanos um dia se aplicarão a todos.

Pedro Costa. Arquiteto e escritor

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Popular

Share post:

Notícias Relacionadas
Related

Sthefany Brito reflete sobre relacionamentos passados e maturidade adquirida

Sthefany Brito respondeu a uma curiosidade dos seguidores nas...

PF investiga fraudes no INSS com idosos “fantasmas” na Bahia

Policiais Federais cumprindo mandados de...

Sthefany Brito reflete sobre relacionamentos passados sem arrependimentos

Sthefany Brito compartilhou com seus seguidores nas redes sociais...