
Repetir histórias nem sempre é sinal de doença, dizem especialistas (Foto: Instagram)
“Já perdi as contas de quantas vezes ouvi essa história” ou “o disco está arranhado”. Para quem é um “repetidor de contos profissional”, essas são frases comuns de escutar. Apesar de ser um possível sinal de problemas cognitivos ou psiquiátricos, contar o mesmo acontecimento várias vezes nem sempre é preocupante.
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De acordo com especialistas entrevistados pelo Metrópoles, a repetição de histórias pode estar ligada a fatores diversos, como ansiedade, necessidade de reafirmação ou até mesmo características da personalidade.
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“Pessoas assim acabam repetindo os mesmos pensamentos e criando as mesmas narrativas. Às vezes, acontece até como uma forma de reforçar o próprio pensamento. Não significa, necessariamente, uma doença”, explica a neurologista Thais Augusta Martins, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. Em alguns casos, o “disco arranhado” pode estar relacionado à atenção. O psicólogo social Gabriel Müller Leal explica que, ao contar uma história, a concentração para transmitir bem a mensagem aumenta.
“Esse foco consome recursos do lobo frontal, o que nos impede de registrar com eficiência o rosto ou a reação do ouvinte”, diz o especialista do Grupo Reinserir Psicologia, em São Paulo.
E QUANDO A REPETIÇÃO DEVE VIRAR MOTIVO DE PREOCUPAÇÃO?
Contar histórias muito antigas pode até ser normal. O problema começa quando a repetição ocorre muitas vezes ou quando acontece uma mudança de personalidade e o indivíduo que não tinha o hábito começa com o costume.
“A pessoa repetir o mesmo fato e não se lembrar, de maneira alguma, de já ter falado sobre aquilo anteriormente — seja algumas horas antes, no mesmo dia ou na mesma semana – preocupa. Isso porque, nas condições neurocognitivas, como a doença de Alzheimer, esse quadro é bastante comum”, alerta Thais. Nesses casos, há falhas cerebrais no armazenamento das informações, fazendo com que o indivíduo conte a mesma história várias vezes — para ele, parece que o conto é inédito.
Segundo Leal, um outro sinal de preocupação está relacionado com o empobrecimento de repertório. “Pessoas saudáveis que repetem histórias geralmente contam causos antigos. O paciente com declínio cognitivo real repete a mesma história de um fato que aconteceu há dez minutos porque sua capacidade de reter novos estímulos está severamente comprometida”, diz o psicólogo.
ROTINA ACELERADA PODE SER CONFUNDIDA COM DOENÇA NEUROLÓGICA
Por outro lado, em meio a rotinas aceleradas onde se fazem várias atividades ao mesmo tempo, as histórias repetidas são apenas um reflexo de um cérebro extremamente estimulado e, por vezes, cansado.
“Muitas vezes, a pessoa realiza várias atividades sem prestar atenção adequada em cada uma delas. Isso pode gerar esquecimentos e a impressão de falha de memória, quando, na verdade, o problema está mais ligado à distração e ao excesso de multitarefas do cotidiano”, afirma a neurologista.
A fim de evitar conclusões precipitadas, as avaliações neuropsicológicas surgem como a melhor alternativa. A partir delas, é possível ter o diagnóstico correto e saber se o caso é passível de tratamento ou é apenas uma sobrecarga da rotina pesada.


