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Reitora da Unesp reforça combate ao assédio após denúncia de estupro

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Fachada do campus da Unesp em São José dos Campos (Foto: Instagram)

A repercussão do caso de estupro cometido por um professor contra uma aluna no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José dos Campos, no interior de São Paulo, trouxe à tona discussões sobre a quantidade de assédios supostamente ignorados pela instituição e as medidas que estão sendo tomadas.

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A reitora da Unesp, Maysa Furlan, afirmou ao Metrópoles que abriu uma "caixa de Pandora" ao implementar programas contra o assédio sexual e incentivar as vítimas a denunciarem. Ela menciona rodas de conversa, projetos de acolhimento e grupos reflexivos para homens, como o Unesp Sem Assédio e o Acolhe Unesp.

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"Nós criamos um volume de programas e, mais do que isso, o letramento da nossa comunidade, com rodas de discussão, com materiais importantes para que a nossa comunidade enxergasse sentido nessa discussão, absorvesse tudo isso e passasse a discutir", disse.

O resultado foi um aumento no número de denúncias feitas à Ouvidoria da Unesp relacionadas a casos de assédio sexual no último ano, o primeiro da gestão Furlan, que é a primeira mulher a dirigir a universidade.

"Quando você oferece estrutura, nós abrimos uma caixa de Pandora. Quando as pessoas veem que realmente está sendo analisado com muita seriedade, com muita lisura, elas se sentem seguras para denunciar", ponderou. Para a reitora, o número crescente de denúncias é positivo, mesmo que indique um alto volume de assédios sexuais na universidade. Ela chama os abusos de "inaceitáveis" e afirmou que "universidade não é casa para hospedar esse tipo de pessoa".

Após a formalização da denúncia de estupro em São José dos Campos, dois professores se tornaram alvos de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) – um deles está diretamente envolvido com o crime. Ambos foram afastados no início de abril, pelo prazo inicial de 30 dias. O período será prorrogado por mais 30 dias.

VÍTIMA DE ESTUPRO E ADVOGADA APONTAM NEGLIGÊNCIA DA UNIVERSIDADE Carolina Ferreira, de 21 anos, estava no primeiro ano do curso de Odontologia em São José dos Campos quando foi estuprada por um docente. Nem ela nem a universidade divulgaram o nome do professor, que agora também é alvo de um inquérito policial, que corre sob sigilo.

Sintomas acarretados pelo trauma fizeram com que a jovem trancasse a matrícula e relatasse o ocorrido aos pais. Em seguida, denunciou o caso à Unesp. Segundo Carolina, a universidade respondeu com "negligência", afirmando que "nunca houve nada parecido".

A jovem tentou voltar ao curso no ano seguinte, mas não conseguiu concluir a graduação por estar recebendo ameaças, conforme o relato. Em abril, ela trouxe o caso à tona, repercutindo a denúncia nas redes sociais. Carolina está com a matrícula suspensa e não pretende mais retornar à universidade.

Em reação, estudantes da Unesp realizaram manifestações em frente à reitoria da universidade, no centro de São Paulo, e no campus de São José dos Campos – onde a direção do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp (ICT) assinou um Termo de Compromisso para o encaminhamento de medidas relativas ao enfrentamento ao assédio, o que inclui formação e capacitação obrigatória do corpo docente.

A advogada Luciana Borsoi, que representa a estudante, critica a omissão inicial da universidade perante a denúncia de estupro. Segundo ela, a instituição passou a agir somente quando os estudantes realizaram as manifestações.

"Se não houvesse dado a repercussão que deu, eles não fariam nada, estaria tudo do mesmo jeito. A Carol estaria aí, há três anos sem nenhuma resposta", criticou.

DOCENTE ACUSADO DE ESTUPRO É ALVO DE MEDIDA PROTETIVA Conforme a advogada, o docente acusado de estuprar Carolina é alvo de um inquérito policial. A polícia já solicitou quebras de sigilo para avançar na investigação.

Além disso, a Justiça concedeu uma medida protetiva para a jovem e a família dela. O professor está proibido de se aproximar da vítima, de sua família e dos locais que frequentam, além de estar impedido de manter qualquer tipo de contato.

A medida se estende às testemunhas do caso, informou Borsoi. Isso ocorreu porque diversas estudantes manifestaram receio de represálias por ainda estarem cursando a graduação.

A polícia apura ainda as ameaças que Carolina recebeu, destinadas a ela e à família. De acordo com a advogada, os investigadores trabalham para identificar a origem das intimidações enviadas por perfis falsos em redes sociais, por meio do rastreamento de IPs para chegar aos remetentes.

VÍTIMA DIZ TER SIDO DESCREDIBILIZADA Carolina disse à reportagem estar feliz que a denúncia que fez tenha dado coragem a outras vítimas para também denunciarem episódios de violência. A jovem, no entanto, afirmou sentir grande tristeza pelo ocorrido e por, além disso, ser descredibilizada.

"Além da dor do ocorrido, existe a descredibilização da minha imagem, da minha palavra, dos meus laudos médicos, dos meus sentimentos e daquilo que eu vivi. Eu já imaginava que enfrentaria resistência, mas não imaginava atitudes tão perversas e tão maldosas", declarou. Ela disse esperar que nenhuma mulher precise passar pelo mesmo. "E, se passar, que ela encontre acolhimento, respeito e amparo, e não julgamento. Esse é, sinceramente, o meu maior desejo", afirmou.

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