
Líderes do Escudo das Américas reafirmam apoio a Rodrigo Paz (Foto: Instagram)
O Escudo das Américas, uma coalizão militar liderada pelos Estados Unidos e criada no início deste ano para combater o narcotráfico na América Latina, expressou seu apoio ao presidente boliviano Rodrigo Paz em meio aos protestos que ocorrem no país. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (5/6), o grupo, composto por 13 países, classificou as manifestações como uma tentativa de "derrubar o governo legitimamente eleito".
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"Apoiamos o governo democrático de Paz em sua luta contra as tentativas de retroceder a Bolívia por meio de manobras cínicas para impedir a entrega de alimentos, medicamentos e outros suprimentos vitais ao povo boliviano através de falsos bloqueios de estradas", destaca a nota. Sem apresentar evidências, a coalizão também afirmou que os protestos estão sendo financiados com dinheiro do crime. "Aqueles que financiam esses protestos com dinheiro sujo do narcotráfico e do crime transnacional devem ser responsabilizados", afirma o comunicado.
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O documento é assinado pelos EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidade e Tobago.
Desde o início de maio, manifestantes têm ocupado as ruas de várias regiões da Bolívia, em protestos e bloqueios de estradas contra o governo de Rodrigo Paz. O político do Partido Democrata Cristão (PDC) assumiu a presidência em novembro de 2025, após uma vitória histórica nas eleições que pôs fim a duas décadas de hegemonia de governos de esquerda.
Durante a campanha eleitoral, Paz conquistou apoio de movimentos sociais com a ajuda de seu vice, Edmand Lara, que tem boa entrada nesses setores. Após assumir o poder, no entanto, o presidente passou a ser criticado por virar as costas para as demandas dos segmentos que o apoiaram na eleição.
Entre as medidas criticadas pelos manifestantes estão políticas voltadas para o agronegócio e a indústria, além do fim de impostos para grandes fortunas. Uma lei polêmica, que visava transformar pequenas propriedades rurais em locais passíveis de compra, venda e hipoteca, também foi alvo de críticas. Segundo os manifestantes, tal legislação poderia enfraquecer a proteção de terras indígenas e abrir brechas para a especulação imobiliária.
Diante da pressão, Paz revogou a Lei 1720. No entanto, isso não foi suficiente para conter os manifestantes, que continuaram com os protestos e bloqueios, exigindo a renúncia do presidente. Com isso, o governo de centro-direita avançou em um projeto de lei que pode facilitar a decretação de estado de exceção na Bolívia, o que permitiria o uso das Forças Armadas para reprimir os protestos. Atualmente, a medida está em análise na Câmara dos Deputados.



