
Avião da Azul no pátio de aeroporto, ilustrando ajustes operacionais em resposta à alta do querosene de aviação. (Foto: Instagram)
Diante do aumento nos preços do combustível de aviação causado pelo conflito no Irã, a Azul está intensificando cortes em suas operações. John Rodgerson, CEO da companhia aérea, destacou que esta decisão visa proteger o caixa em um cenário de incertezas e pressão sobre os custos.
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Rodgerson explicou que as principais empresas do setor têm reduzido suas capacidades para alinhar as operações à demanda em meio a custos elevados. Ele afirmou que a Azul seguirá essa tendência e aprofundará os ajustes, caso o conflito continue impactando os gastos.
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A maioria dos ajustes feitos pela Azul até agora ocorreu nas operações internacionais, mas os próximos devem focar na redução de frequências de voos domésticos, sem necessariamente suspender destinos.
Rodgerson citou rotas com várias partidas diárias como exemplo, sugerindo que a frequência pode ser reduzida para se adequar ao novo cenário de custos. A prioridade da empresa é manter a relevância de seus principais centros de conexão, como Campinas (SP), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE).
Mesmo que a interrupção de voos para algumas cidades não esteja descartada, o executivo afirmou que a Azul pretende primeiro reduzir a utilização das aeronaves e ajustar a oferta de voos. “Não é viável usar uma aeronave por 13 ou 14 horas diárias quando o preço do combustível dobra”, comentou.
A Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QaV) a partir de junho. Com isso, o preço caiu R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior. A estatal explicou que o reajuste reflete uma atenuação das cotações internacionais do QaV devido a tensões no Oriente Médio.
Em abril, a Petrobras havia aumentado o preço do QaV em 54,63%, elevando os custos das companhias aéreas. Na época, a Abear informou que o combustível passou a representar cerca de 45% dos gastos das empresas, ante 30% anteriormente. Mesmo com variações, a Petrobras afirma que o preço do QaV acumula uma queda real de 5,8% desde dezembro de 2022.
A guerra no Irã, envolvendo EUA e Israel, gera apreensão no mercado de petróleo devido ao papel estratégico do país na produção e escoamento da commodity. Em cenários de conflito, há temor de impactos na oferta global, elevando o preço do barril.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, é um ponto sensível. Qualquer ameaça ao fluxo de embarcações na região pode reduzir a oferta e pressionar os preços internacionais.
Como gasolina, diesel e querosene de aviação são derivados do petróleo, aumentos na commodity tendem a ser repassados aos combustíveis. Apesar do Brasil ser um importante produtor, os preços no país são influenciados por cotações internacionais.
Além de impactar diretamente o transporte aéreo, a alta dos combustíveis pode aumentar custos logísticos em vários setores, afetando preços de produtos e serviços.



