Governo Lula busca diálogo com Trump para reverter tarifas de 25% em produtos brasileiros

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Lula e Trump em encontro preliminar buscam evitar tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros (Foto: Instagram)

O governo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda mantém a esperança de que um diálogo com a administração de Donald Trump possa evitar a aplicação de tarifas em produtos brasileiros. Nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) finalizou duas investigações comerciais contra o Brasil e propôs novas taxas ao país.

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Embora as medidas tenham gerado desconforto no governo Lula, fontes do Palácio do Planalto consultadas pelo Metrópoles acreditam que ainda há espaço para negociar com a gestão de Donald Trump e reverter a taxação.

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No curto prazo, o governo brasileiro espera que uma conversa do ministro Mauro Vieira com Jamieson Greer, chefe do USTR, possa abrir caminhos para essa negociação. A expectativa é que conversas nas próximas semanas possam impedir que as taxas sejam efetivamente aplicadas.

Nessa semana, o USTR concluiu duas investigações contra o Brasil. Na primeira, o órgão prevê 25% de taxas a produtos brasileiros por práticas comerciais desleais; e a segunda, propõe 12,5% de taxas por uso do trabalho forçado na mão de obra brasileira. As investigações são baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO

  • O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu duas investigações comerciais contra o Brasil e sugeriu novas taxas ao país.
  • Uma das investigações, que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais, sugere 25% de taxas a uma série de produtos brasileiros importados pelos EUA. A segunda, que investiga trabalho forçado em diversos países, sugere 12,5% de taxa ao Brasil.
  • As taxas ainda não foram implementadas e o governo brasileiro acredita que pode reverter a aplicação dessas tarifas.
  • Neste sentido, a expectativa do governo Lula é apostar no diálogo com o governo Donald Trump, em busca de alternativas para evitar a implementação de pelo menos uma das taxas.
  • Neste contexto, surge ainda a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump, que participam da Cúpula do G7, em Paris, no final da próxima semana.

Sob a mira de duas investigações, a gestão Lula vê caminho para evitar a aplicação de pelo menos uma delas.

Interlocutores do Palácio do Planalto acreditam ser difícil reverter as taxas de 12,5%, que são justificadas pelo trabalho forçado. A avaliação é que essa investigação, que também atinge aliados dos Estados Unidos, foi “feita para não ser revertida“, em uma tentativa de contornar o tarifaço anunciado em 2025 e que foi considerado ilegal pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

Neste sentido, interlocutores do presidente Lula acreditam que a fixação desta tarifa pode abrir margem para negociar a taxa mais alta, que prevê a aplicação de 25% em taxas para uma série de produtos brasileiros. O governo também tem apostado alto no diálogo com a Casa Branca. Embora avaliem que os diversos esclarecimentos e documentos entregues aos EUA não tenham sido levados em consideração para a conclusão das investigações, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não pretendem desistir dos diálogos.

Nesta semana, Greer e Vieira tiveram um breve encontro em Paris e reconheceram que os diálogos entre as duas partes ainda estão abertos — e é neste canal que o governo aposta.

O governo petista ainda vê uma janela para negociação pois as tarifas ainda não foram efetivamente aplicadas. Por serem uma sugestão do USTR, as taxas ainda devem ser discutidas em audiências públicas e passar pelo aval de Donald Trump. O governo acredita ainda que as tarifas não devem ser aplicadas até o dia 15 de junho, prazo que os EUA deve terminar procedimentos internos para viabilizar as taxas.

Apesar do cenário adverso, integrantes do governo brasileiro dizem estar abertos a negociações e dispostos a discutir alternativas, desde que a iniciativa parta dos Estados Unidos. Nos bastidores, a avaliação é que a Casa Branca ainda não explicitou de forma clara o que busca, o que impede o Brasil de colocar propostas na mesa sem antes entender quais são as demandas americanas.

Por outro lado, o governo já externou que qualquer negociação envolvendo o Pix está fora de negociação. Há ainda expectativa de que uma pressão de empresários do setor produtivo sobre os Estados Unidos, através de audiências e de interlocutores da Casa Branca, possam levar Donald Trump à mesa de negociação.

Outra possibilidade colocada na mesa trata de um novo encontro entre Lula e Trump. Os dois líderes estarão presentes na Cúpula do G7, que acontece em Paris, na França, no final da próxima semana.

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