
Senador Davi Alcolumbre durante entrevista coletiva sobre a tramitação da PEC da escala 6×1 (Foto: Instagram)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está sob pressão para encaminhar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — diretamente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
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Na última terça-feira (2/6), Alcolumbre anunciou que se reunirá com líderes partidários na próxima semana para discutir o andamento da proposta. Na semana anterior, ele havia declarado firmemente que não tinha intenção de acelerar o processo, defendendo que a PEC passasse por uma comissão especial antes de ir ao plenário, algo que o Regimento Interno não proíbe, mas que não é comum no Senado há muitos anos.
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Durante seu pronunciamento, Alcolumbre também argumentou que o Senado não deveria apenas ratificar as decisões da Câmara. O texto foi aprovado pelos deputados na quarta-feira da semana anterior (27/5).
Embora o regimento não impeça a criação de uma comissão especial, o rito das PECs não inclui essa etapa, o que gerou críticas à proposta de Alcolumbre. Nos bastidores, governistas veem isso como um possível obstáculo a uma pauta estratégica para Lula em 2026: o fim da escala 6×1.
O entendimento de que a PEC da escala 6×1 deve passar apenas pela CCJ é baseado no Regimento Interno do Senado. O artigo 356 estabelece que propostas de emenda à Constituição sejam enviadas à comissão para parecer. Após essa etapa, ou se a CCJ não se manifestar dentro do prazo, a matéria segue para o plenário.
Os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram essa medida uma das principais bandeiras sociais para a reeleição em 2026. “Isto nunca aconteceu nos 24 anos que estou no Senado […]. Estamos esperando esta mudança há 40 anos. Tudo mudou no mundo do trabalho. Temos que mudar a carga horária também. Getúlio [Vargas] regulou as 48 horas, nós aprovamos na Constituição as 44 horas… E agora, 40 anos depois, 40 horas”, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS) ao Metrópoles.
MUDANÇA NA JORNADA DE TRABALHO PASSA PELO SENADO
- Alcolumbre deve ceder à pressão e encaminhar a PEC da escala 6×1 diretamente para a CCJ do Senado;
- Presidente do Senado reunirá líderes partidários na próxima semana para discutir a tramitação da proposta;
- Governistas criticam a ideia de uma comissão especial e veem risco de atraso em pauta estratégica para Lula;
- Aliados admitem que o avanço da PEC depende de Alcolumbre, que concentra forte influência sobre líderes e votações na Casa.
CAMINHO DIFÍCIL SEM APOIO DE ALCOLUMBRE
Governistas reconhecem que a aprovação da PEC no Senado pode ser mais desafiadora sem o apoio ativo de Alcolumbre. Na Câmara, a proposta teve forte articulação do governo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se aproximou do Palácio do Planalto e ajudou nas negociações para a votação do texto.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que o presidente do Senado tem ainda mais influência sobre o funcionamento da Casa do que seu equivalente na Câmara. Além de controlar a pauta de votações, Alcolumbre tem grande capacidade de coordenação sobre os líderes partidários, considerados essenciais para construir consensos e avançar com propostas de maior impacto político, como a PEC da escala 6×1.



