
Deolane Bezerra durante sessão no STJ (Foto: Instagram)
O procurador da República Augusto Aras mencionou a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista ao argumentar a favor da manutenção da prisão da influenciadora Deolane Bezerra.
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A declaração ocorreu na tarde desta terça-feira (9/6), durante o julgamento do habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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Após a defesa de Deolane ter solicitado a substituição da prisão preventiva por medidas alternativas, ressaltando que ela é mãe de uma criança menor de 12 anos, Aras contestou os argumentos.
“Observamos o crescimento contínuo das organizações criminosas. Todos estão cientes das recentes decisões dos Estados Unidos contra duas facções conhecidas no Brasil. Sabemos que, ao recorrer a crimes complexos, essas organizações usaram desde menores de idade até pessoas com algum desequilíbrio emocional, e mais recentemente, mães de família, considerando que, na sociedade brasileira, a família é altamente respeitada e valorizada”, afirmou.
Em seguida, Aras invocou o princípio da razoabilidade para defender a manutenção da prisão preventiva, afirmando que as decisões judiciais devem seguir critérios de justiça e correção, o que, segundo ele, se aplica ao caso.
Ao término do julgamento, os ministros da Quinta Turma decidiram manter a prisão preventiva da influenciadora.
Para o colegiado, não cabe agravo regimental contra decisão monocrática que nega seguimento a habeas corpus.
INVESTIGAÇÕES
De acordo com a investigação, Deolane desempenhava um papel significativo ao dar uma aparência de legalidade a recursos ilícitos atribuídos ao PCC.
A visibilidade pública da influenciadora, suas atividades empresariais formais e a movimentação de seu patrimônio teriam sido utilizadas para ocultar e disfarçar a origem criminosa dos valores, dificultando a identificação de vínculos com a facção.
Os investigadores afirmam que Deolane mantinha relações pessoais e comerciais com um dos supostos “gestores-fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau (SP), empresa apontada em operação anterior como braço financeiro do PCC.
As autoridades também destacaram que a influenciadora passou a ter um papel central nas investigações devido a movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de ligação com membros da cúpula da organização criminosa.
Após solicitação da Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público paulista, a Justiça ordenou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos — incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e de quatro imóveis associados aos investigados. Também foram decretadas seis prisões preventivas.



