Donald Trump prevê acordo com o Irã em até três dias após trégua com Israel

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Político americano em pronunciamento sobre trégua e negociações com o Irã (Foto: Instagram)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (9/6) que as conversas com o Irã estão em seus "últimos esforços", estipulando um prazo de até três dias para um acordo ser alcançado. Esta iniciativa diplomática ocorre após a suspensão dos ataques entre Irã e Israel, ainda que a situação permaneça frágil devido a bombardeios no Líbano, ameaças de retomada dos combates, ações de aliados como o Hezbollah e os houthis iemenitas, além de sinais contraditórios no terreno, mantendo a tensão elevada no Oriente Médio e nos mercados globais.

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O anúncio de Trump veio após novos desdobramentos militares e diplomáticos na região, que continuam a expor a fragilidade do cessar-fogo, mesmo após a trégua anunciada no dia anterior. Segundo Trump, o acordo pode ser "muito, muito bom" em um momento em que Washington busca encerrar um conflito que enfrenta resistência interna, especialmente com a proximidade das eleições de meio de mandato.

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Ainda na terça-feira, o Exército de Israel ordenou a evacuação de moradores da cidade portuária de Tiro, no sul do Líbano, alertando para possíveis novos bombardeios. A ordem contrasta com o anúncio de suspensão formal dos ataques por Israel e Irã no dia anterior, após pressão direta de Trump.

O principal aeroporto internacional de Teerã anunciou a normalização de suas operações nas primeiras horas do dia, após o espaço aéreo iraniano ter sido parcialmente fechado entre domingo e segunda-feira devido à escalada militar. Israel também informou ter interceptado uma "ameaça aérea suspeita" vinda do Iêmen, apenas um dia após os rebeldes houthis, aliados do Irã, reivindicarem um ataque contra Israel e anunciarem restrições à navegação israelense no mar Vermelho.

No campo diplomático, o chefe do Exército libanês, Rodolphe Haykal, reuniu-se com seu homólogo paquistanês, Asim Munir, no Paquistão. Islamabad se destaca como principal mediador nas negociações para um acordo mais duradouro, reafirmando seu compromisso de aprofundar a cooperação militar com o Líbano.

TRÉGUA INSTÁVEL
Apesar das declarações sobre a interrupção das hostilidades, os sinais no terreno permanecem ambíguos. O Irã alertou que responderá "de forma muito mais severa" a qualquer nova ofensiva israelense, inclusive no sul do Líbano, enquanto Israel prometeu reagir "com força" a ataques adversários.

Na segunda-feira (8/6), forças iranianas anunciaram o fim de uma operação militar, descrita como "resposta severa" a ações israelenses. Cerca de 30 mísseis foram disparados contra Israel, segundo um oficial militar israelense, em reação a um ataque aéreo de Israel na periferia sul de Beirute, reduto do Hezbollah.

Também na segunda, Israel continuou bombardeios no sul do Líbano, atingindo cerca de 15 localidades, incluindo Tiro. As ações resultaram em 14 mortos e mais de 20 feridos, conforme autoridades locais e a Cruz Vermelha. O Hezbollah afirmou ter realizado novos ataques contra forças israelenses no sul do Líbano, sem atingir o território israelense.

Relatos do Exército israelense indicam que projéteis foram disparados contra suas tropas no sul do Líbano, além de um quarto artefato que caiu nas proximidades sem causar vítimas. Israel reforçou que suas operações contra o Hezbollah continuarão "pelo tempo que for necessário".

A trégua entre Irã e Israel foi anunciada na segunda, após apelos diretos de Trump para o fim "imediato" das hostilidades. Teerã foi o primeiro a comunicar a interrupção de sua operação, seguido por Tel Aviv. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou que "as hostilidades neste fronte cessaram", mas com ressalvas sobre uma possível retomada dos combates.

Nos bastidores, Trump chegou a advertir Netanyahu de que Israel poderia ficar isolado caso decidisse retomar a guerra com o Irã. "É melhor ser cauteloso, ou você ficará sozinho", teria dito Trump, segundo relato ao site Axios.

CONFLITO MAIS AMPLO E IMPACTOS REGIONAIS
A atual escalada faz parte de um conflito mais amplo iniciado em 28 de fevereiro, envolvendo operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã. Teerã exige que qualquer acordo contemple o fim das hostilidades com Israel e Hezbollah simultaneamente, enquanto Washington prefere tratar o front libanês separadamente.

Além da tensão direta entre Irã e Israel, o cenário regional se complicou com a entrada indireta de atores aliados. Os houthis do Iêmen, por exemplo, passaram a apoiar Teerã de forma mais ativa, inclusive com ameaças a rotas marítimas estratégicas como o estreito de Bab el-Mandeb.

No Líbano, a ofensiva iniciada por Israel em 2 de março, com incursões terrestres e ataques aéreos, já causou milhares de mortes e deslocou mais de 1,4 milhão de pessoas, segundo estimativas oficiais. Do lado israelense, ataques do Hezbollah resultaram em pelo menos quatro mortes civis no mesmo período.

Apesar do avanço nas conversas, autoridades iranianas afirmam que o diálogo com Washington ocorre sob "extrema desconfiança". Ao mesmo tempo, representantes israelenses negam pressões norte-americanas sobre o governo Netanyahu, classificando as discussões como cooperativas.

No ambiente econômico, a perspectiva de um acordo impulsionou os mercados. Após semanas de alta devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, o preço do petróleo caiu nesta terça: o Brent recuou 0,9%, para US$ 93,40, enquanto o WTI caiu 1,16%, para US$ 90,24.

Analistas destacam que a expectativa de cessação do conflito funcionou como catalisador para a recuperação dos ativos globais, embora o movimento de alta tenha se concentrado principalmente em empresas de tecnologia e semicondutores, impulsionadas também pelo renovado interesse em inteligência artificial.

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