
João Saldanha: o “Sem Medo” que reconstruiu o Brasil rumo ao Tri (Foto: Instagram)
João Saldanha, um dos personagens principais da série "Brasil 70 – A Saga do Tri" da Netflix, deixou sua marca na história do futebol brasileiro ao liderar a Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970.
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Conhecido como "João Sem Medo", apelido dado por Nelson Rodrigues, Saldanha era jornalista, comentarista esportivo, dirigente e técnico. Ele era famoso por sua personalidade forte e críticas contundentes a autoridades e figuras do esporte.
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Nascido em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 1917, Saldanha teve contato com o futebol desde a infância, após mudar-se para Curitiba. Sua casa era próxima ao campo do Athletico Paranaense, onde assistia aos treinos das categorias de base.
Em 1928, a família voltou ao Rio Grande do Sul e, anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde Saldanha iniciou sua trajetória política ao se filiar ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Como militante, foi secretário-geral da União da Juventude Comunista e se destacou como opositor da ditadura militar.
Antes de sua carreira jornalística, Saldanha jogou profissionalmente pelo Botafogo. Formado em Direito pela Universidade do Brasil, atual UFRJ, ele também estudou Jornalismo e se destacou na imprensa esportiva.
No Botafogo, onde também foi dirigente, Saldanha aprendeu conceitos táticos com o técnico húngaro Dori Kürschner. Em 1957, assumiu o comando do time e conquistou o Campeonato Carioca com uma vitória histórica sobre o Fluminense por 6 a 2.
Durante a ditadura militar, Saldanha teve desentendimentos com dirigentes da CBD, liderada por João Havelange, e com o presidente Emílio Garrastazu Médici.
TRAJETÓRIA NA SELEÇÃO BRASILEIRA
Em 1969, Saldanha foi encarregado de reconstruir a Seleção Brasileira após o fracasso na Copa de 1966. A série da Netflix começa com ele convencendo Pelé a jogar a Copa do México, após o jogador anunciar que não participaria de mais um mundial.
Sob sua liderança, a Seleção teve 100% de aproveitamento nas Eliminatórias, vencendo todos os jogos e garantindo a classificação de forma invicta. As "feras de Saldanha" encantaram com um futebol ofensivo, em um país sob regime militar.
A campanha incluiu vitórias sobre Colômbia, Venezuela e Paraguai, com 23 gols marcados e apenas dois sofridos. O desempenho formou a base da equipe que conquistaria o tricampeonato mundial.
O episódio mais famoso foi quando Médici sugeriu a convocação de Dadá Maravilha, e Saldanha respondeu: "Nem eu escalo ministério e nem o presidente escala time", simbolizando seu confronto com o regime militar.
Outro ponto de tensão envolvia Pelé. Saldanha queria que ele jogasse mais avançado, enquanto Pelé preferia atuar recuado. As divergências se tornaram públicas quando Saldanha questionou a condição física e a visão de Pelé, gerando polêmica e desgaste.
A CHEGADA DE ZAGALLO
Apesar de sua campanha invicta, Saldanha foi demitido em março de 1970, a menos de três meses da Copa, devido a conflitos políticos, desentendimentos com a CBD e a polêmica com Dadá Maravilha.
Mário Zagallo assumiu o comando e levou a Seleção ao tricampeonato no México. Mesmo sem liderar o Brasil na Copa, Saldanha é lembrado como o arquiteto da equipe campeã de 1970, sendo uma figura marcante na história do futebol nacional.



