Por que superar o término de um relacionamento é tão desafiador?

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Foto de casamento sendo triturada simboliza a dor do término (Foto: Instagram)

Se lidar com o fim de um relacionamento parece impossível, saiba que não é apenas uma impressão. O término pode afetar o humor, a autoestima, o sono, os planos futuros e até a vida pessoal. Especialistas explicam que a dor da separação tem raízes emocionais e biológicas: quando uma relação termina, o cérebro precisa se ajustar à ausência de uma presença que fazia parte da rotina e do sistema de recompensa.

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De acordo com a psiquiatra Ana Caroline Santana, formada pelo Hospital Albert Einstein, a intensidade do sofrimento não está necessariamente ligada à duração do relacionamento, mas ao espaço emocional que a pessoa ocupava. “O sofrimento após um término não é proporcional ao tempo de relacionamento, mas ao quanto aquela pessoa estava integrada à tua identidade e ao teu sistema de recompensa”, explica. O cérebro associa a presença do parceiro a sentimentos de segurança e prazer.

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Por isso, algumas pessoas têm mais dificuldade para seguir em frente. Históricos de apego ansioso, dependência emocional e experiências de rejeição podem tornar a separação ainda mais dolorosa. “O cérebro não distingue bem dor nova de dor velha”, afirma a especialista. Apesar de ser um período desafiador, sofrer após o fim de uma relação é considerado natural, com tristeza e dificuldade de concentração sendo esperadas nas primeiras semanas.

O problema surge quando esse sofrimento interfere na rotina por muito tempo. Se a pessoa para de trabalhar, negligencia o autocuidado, se isola dos amigos ou não retoma suas atividades após meses, pode ser hora de buscar ajuda profissional.

IMPACTOS NA AUTOESTIMA E NA VIDA PESSOAL
Os efeitos de uma separação são sentidos em várias áreas da vida, com a autoestima frequentemente sendo uma das mais afetadas. Segundo Ana Caroline, muitos usam o olhar do parceiro como um espelho para validar sua imagem. Quando a relação acaba, é comum sentir insegurança e dificuldade em reconhecer o próprio valor.

A vida pessoal também pode sofrer mudanças significativas. A perda do vínculo afetivo e a necessidade de reconstruir a confiança podem impactar diretamente o desejo e a intimidade. Algumas pessoas relatam diminuição da libido, enquanto outras buscam novas experiências para preencher o vazio deixado pelo término.

A especialista alerta que tentar aliviar a dor entrando imediatamente em outro relacionamento nem sempre é a melhor estratégia. “É contraindicado buscar anestesiar a dor com substâncias, novos relacionamentos imediatos ou trabalho compulsivo. O luto tem que ser processado”, ressalta.

SONO, ANSIEDADE E ROTINA DESREGULADOS
Além das questões emocionais, o término pode afetar o funcionamento do organismo. A ansiedade tende a aumentar, pois o cérebro perde uma referência de estabilidade. A pessoa que fazia parte dos planos e da rotina deixa de estar presente.

O sono costuma ser um dos primeiros afetados. “À noite, sem distração, o cérebro entra em modo de processamento intenso”, explica Ana Caroline. Isso pode levar à insônia e pensamentos repetitivos.

A rotina precisa ser reorganizada. Programas e compromissos que antes giravam em torno da relação precisam ser reconstruídos, o que demanda tempo e adaptação emocional.

O QUE ACONTECE NO CÉREBRO QUANDO O CORAÇÃO É PARTIDO?
A ciência esclarece por que a dor de uma separação parece tão intensa. Estudos de neuroimagem mostram que o cérebro de alguém que passou por rejeição amorosa apresenta atividade similar à de indivíduos em abstinência de drogas.

“A pessoa não está exagerando. Ela está, literalmente, em abstinência de uma substância que o próprio cérebro produzia na presença do outro”, afirma a psiquiatra. Neurotransmissores ligados ao prazer e vínculo afetivo, como dopamina e ocitocina, sofrem alterações após o rompimento.

Estudos da antropóloga Helen Fisher também identificaram que a rejeição amorosa ativa áreas do cérebro associadas à dor física.

“Quando alguém diz que uma separação dói de verdade, isso faz todo sentido neurobiologicamente”, explica a especialista.

COMO TORNAR A RECUPERAÇÃO MAIS SAUDÁVEL?
Para enfrentar o processo de forma equilibrada, a principal recomendação é permitir-se viver o luto. Isso significa aceitar a tristeza como parte da recuperação emocional.

Ana Caroline sugere resgatar interesses pessoais, fortalecer a identidade individual, praticar exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada e cuidar do sono.

Por fim, ela destaca a importância da rede de apoio. Amigos, familiares e psicoterapia podem ser fundamentais para atravessar esse momento de forma mais saudável.

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