Flávio Bolsonaro e o vazamento de informações que abala sua candidatura

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Flávio Bolsonaro em ato de campanha sob a bandeira nacional. (Foto: Instagram)

“Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Esse ditado também se aplica quando falamos de vazamento de informações. Um exemplo disso é Flávio Bolsonaro, que comemorou o vazamento de dados que mancharam para sempre a reputação do ministro Alexandre de Moraes, conselheiro informal do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do maior escândalo financeiro do Brasil. Na mente do povo, Moraes é Lula e Lula é Moraes, que condenou o pai de Flávio à prisão por tentativa de golpe de Estado.

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Agora, Flávio alega ser vítima de um vazamento de informações que visa enfraquecer sua candidatura à Presidência, faltando apenas 21 dias para o primeiro turno das eleições. No entanto, isso não é um vazamento, mas sim a revelação de sigilo, ordenada pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF, do inquérito que o investiga por corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O público tem o direito de saber tudo. Por que não?

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Moraes, por outro lado, se recusa a esclarecer suas relações com Vorcaro desde que o Banco Master começou a enfrentar problemas. Eles trocaram 28 mensagens às vésperas da primeira prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado. Em uma mensagem do dia 15, o ex-banqueiro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Em outra, no dia 16, questionou sobre a possibilidade de ser preso: “Você acha que existe alguma chance de isso acontecer amanhã de manhã?”. Vorcaro acabou detido na noite do dia 17 ao tentar fugir do país.

Peritos da Polícia Federal identificaram que Vorcaro usou 52 notas em seu aplicativo para redigir textos que depois eram transformados em imagens e enviados a Moraes. Do lado do ministro, foram mapeadas quatro mensagens com visualização única enviadas a Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. A situação de Moraes se complica ainda mais pelo fato de sua esposa ter atuado como advogada do Master, recebendo R$ 131,2 milhões por seus serviços.

Vorcaro, generoso, transferiu cerca de R$ 65 milhões para financiar o filme Dark Horse a pedido de Flávio. “Dinheiro privado”, segundo o candidato, embora Vorcaro, por meio de fraudes e subornos, tenha acessado vastos recursos públicos.

Flávio finge estar tranquilo. Desde o fim da ditadura militar de 1964, ele é o segundo político a almejar a Presidência enquanto investigado pelo STF – o primeiro foi seu pai nas eleições de 2022. “Graças a Deus, o sigilo foi afastado de tudo e às claras para todo mundo ver o que eu sempre disse, que não tem absolutamente nada de errado nesse filme”, afirma. Parodiando Fernando Pessoa, o poeta português: “O político é um fingidor. Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente”.

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