João Brasio rememora última conversa com Bruno Avelar: “Difícil reler”

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João Brasio e parceiro em evento beneficente (Foto: Instagram)

O empresário João Brasio compartilhou com a coluna detalhes sobre a última conversa que teve com seu amigo Bruno Avelar e falou sobre a mobilização que ocorreu após o desaparecimento do helicóptero em que Bruno estava.

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A aeronave caiu na região serrana de Santa Catarina na segunda-feira (21/9), vitimando Bruno, o cantor Rick da dupla Rick & Renner, o videomaker Paulo Ricardo dos Santos Soares, o piloto Antonio Roberto Nobrega de Araujo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

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Em um relato emocionante, João relembrou como conheceu Bruno, detalhes da última conversa que tiveram, como recebeu a notícia do desaparecimento e a mobilização de amigos e empresários durante as buscas.

Ele também falou sobre o lado solidário de Bruno e refletiu sobre a fragilidade da vida após a morte inesperada do amigo.

Como era a amizade entre vocês e com que frequência se falavam?

Conheci Bruno por meio do meu sócio, Felipe Galofaro, mas demorou um pouco até nos conectarmos de verdade. Um dia, ele me convidou para conhecer o Deive Leonardo, e desse encontro surgiu um projeto incrível que levou a palavra de Jesus a quase 200 mil pessoas.

Isso resume bem quem era Bruno. Ele não apenas conectava pessoas, mas propósitos. Muitas vezes, você conhecia alguém através dele e, mais tarde, percebia que havia um propósito maior por trás daquele encontro.

Não nos falávamos diariamente, mas com certa frequência, e era uma amizade em que o tempo entre as conversas não diminuía a conexão.

Você sabe o que levou Bruno a Santa Catarina e o que ele faria lá?

Sei que ele tinha alguns compromissos na região, mas não sei exatamente quais eram e prefiro não afirmar algo sem ter certeza.

Qual foi a última mensagem ou conversa que vocês tiveram? Sobre o que falaram?

Nossa última conversa reflete muito quem Bruno era. Ele queria que eu e minha esposa, Cela, participássemos de um leilão beneficente em prol de crianças com epidermólise bolhosa, uma doença muito dolorosa.

Ele sempre buscava formas de fazer o bem, ajudar alguém ou reunir pessoas em torno de uma causa maior.

A última mensagem dele para mim foi: "Vou fazer um leilão e posso colocar você e a Cela pra fazer lotes comigo para ajudar as crianças."

É muito difícil reler isso agora. Mas há algo bonito em saber que uma das últimas coisas que ele me pediu foi ajuda para ajudar outras pessoas.

Como você soube que o helicóptero havia perdido contato?

Quem me informou foi Pablo Marçal. Estávamos conversando sobre outro assunto pelo WhatsApp quando ele perguntou se eu já sabia que Bruno havia desaparecido de helicóptero.

Foi uma daquelas mensagens que você lê e demora alguns segundos para entender. Minha primeira reação foi acreditar que logo receberíamos a notícia de que eles haviam sido encontrados e estavam bem.

O que você fez assim que recebeu a notícia? É verdade que pensou em pegar um helicóptero para ir ao local das buscas?

Inicialmente, fiquei em choque, praticamente sem reação, esperando que a qualquer momento chegasse uma boa notícia dizendo que eles haviam sido encontrados.

Conforme as horas passavam e essa notícia não chegava, começou uma grande mobilização. Empresários, amigos e pessoas de diferentes áreas começaram a usar tudo que tinham ao alcance para tentar localizá-los.

Houve contato com presidentes de empresas de telecomunicações para ajudar no rastreamento dos telefones, contatos com autoridades para disponibilizar recursos de busca e rastreamento, amigos dispostos a entrar na mata. Cada um tentava contribuir com o que sabia fazer ou com os recursos que tinha.

Como minha área é tecnologia, concentrei meus esforços em enviar drones equipados com câmeras térmicas e infravermelho para ajudar nas buscas.

Naquele momento, não existia ego, empresa, posição social ou qualquer outra coisa. Existia apenas um grupo de pessoas tentando trazer seus amigos de volta para casa.

Em que momento você recebeu a confirmação da morte do Bruno?

O prefeito de Urubici entrou em contato com um grupo do qual eu fazia parte e nos informou que eles haviam sido encontrados e que a morte estava confirmada.

Foi um momento de tristeza profunda. Até aquele instante, por mais que as horas passassem, ainda havia esperança. A gente se agarrava à possibilidade de eles estarem esperando o resgate em algum lugar.

Quando a confirmação chegou, a esperança deu lugar a um silêncio difícil de explicar. Acho que todos que estavam naquela ligação sentiram a mesma coisa. Era como se ninguém soubesse exatamente o que dizer, porque não havia nada que pudesse ser dito.

Tivemos de manter segredo até que a família fosse devidamente informada por pessoas próximas, para não serem pegas de surpresa pela mídia.

O que mais tem passado pela sua cabeça desde que recebeu essa notícia?

Que não pode ser verdade.

Acho que ainda não consegui processar completamente. É muito difícil compreender que pessoas que estavam vivendo, trabalhando, fazendo planos e falando conosco simplesmente se foram em um piscar de olhos.

E talvez haja uma lição muito dura nisso tudo. Vivemos como se tivéssemos garantia do amanhã, mas não temos. A vida é extremamente frágil.

Por isso, se você ama alguém, diga agora, não deixe para amanhã. Abrace seus filhos. Esteja presente com sua família. Resolva as brigas que não valem a pena. Não economize "eu te amo" e nunca deixe para amanhã aquilo que realmente importa.

Porque, infelizmente, às vezes o último abraço acontece sem que ninguém saiba que era o último.

Como está a família do Bruno neste momento? Você tem conseguido acompanhar ou ajudar de alguma forma?

Eles estão tentando processar um luto que chegou de maneira brutal e completamente inesperada. Não houve preparação, não houve despedida, não houve tempo para entender o que estava acontecendo.

É uma dor indescritível e acompanhada de muitos questionamentos. Nesse momento, acredito que mais importante do que tentar encontrar palavras capazes de explicar algo inexplicável é estar presente, respeitar o tempo da família e oferecer apoio.

E, para quem tem fé, existe também algo muito importante que podemos fazer agora, que é orar.

Eu creio que o Bruno está sendo recebido por Deus. Quem precisa muito de nós agora são aqueles que ficaram aqui: sua esposa, seus filhos, seus familiares e todas as famílias que perderam alguém nesse acidente.

É por eles que precisamos pedir força, consolo e paz a Deus para atravessarem uma dor que nenhum ser humano gostaria de experimentar.

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