O deserto do Atacama, no norte do Chile, ganhou uma nova paisagem após as chuvas registradas durante o inverno austral de 2026. A água acumulada em uma das regiões mais áridas do planeta permitiu a germinação de sementes e bulbos que permaneciam sob o solo e deu origem ao chamado deserto florido, que deve atingir seu auge em outubro com cerca de 15 mil hectares de vegetação.
Em algumas áreas, o volume de chuva ultrapassou 180 milímetros. César Pizarro, chefe da seção de conservação da biodiversidade da Corporação Nacional Florestal chilena (Conaf) no Atacama, afirmou à AFP que foram registrados “volumes muito altos que nunca tinham sido registrados”. A quantidade de água permitiu que a umidade chegasse a camadas mais profundas da areia e favorecesse a germinação.
Sob o solo do Atacama, sementes e bulbos permanecem em estado de latência durante os períodos de seca e começam a se desenvolver quando encontram condições adequadas de umidade. Segundo a Conaf, mais de 200 espécies de plantas anuais e geófitas podem emergir durante o fenômeno.
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Entre as espécies que aparecem durante a floração estão os suspiros brancos e as patas-de-guanaco. Com o desenvolvimento das plantas, áreas normalmente marcadas pela paisagem desértica passam a ser ocupadas por flores, incluindo extensões em tons de violeta.
A expectativa da Conaf é que a floração deste ano alcance sua maior extensão durante outubro. A projeção de aproximadamente 15 mil hectares coloca o episódio entre os mais importantes já registrados na região.
As chuvas estão relacionadas à atuação do El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial. Entre 16 e 22 de julho, a intensa evaporação das águas do Pacífico em frente à costa do Peru contribuiu para precipitações no norte chileno.
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As mesmas condições meteorológicas também tiveram consequências em outras áreas do Chile. As fortes chuvas de julho deixaram 13 mortos e cerca de 4 mil moradias destruídas ou gravemente danificadas, segundo autoridades ouvidas pela AFP.
O surgimento das plantas também interfere na dinâmica do ecossistema. Insetos, aves, répteis e mamíferos passam a participar do ciclo relacionado à floração, enquanto a polinização e a produção de novas sementes contribuem para que espécies permaneçam no solo à espera de futuros períodos de chuva.
Com a mudança na paisagem, o deserto florido também atrai visitantes interessados em observar e fotografar as áreas cobertas pela vegetação. A Conaf orienta que turistas permaneçam em estradas, trilhas e caminhos demarcados e não cortem ou retirem as flores, sementes e bulbos do local.














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