
Salas de aula do CEF 507 em Samambaia Sul exibem paredes com buracos e mobiliário desgastado, evidenciando a falta de infraestrutura. (Foto: Instagram)
Estudantes e professores do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 507 de Samambaia Sul estão enfrentando uma situação de precariedade estrutural e tensões administrativas. A escola, que segue o modelo cívico-militar, acumula reclamações que vão desde a falta de infraestrutura básica até denúncias de assédio moral e xenofobia.
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A rotina na escola é marcada por improvisações e riscos à integridade física. As salas de aula carecem de ventilação adequada — algumas nem sequer possuem ventiladores — e os quadros antigos têm parafusos e pontas metálicas que já causaram ferimentos nos alunos, de acordo com a comunidade. Nos banheiros, as condições de higiene são precárias, com algumas instalações interditadas.
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A falta de cobertura na quadra poliesportiva é outro problema crítico enfrentado pelos estudantes. Expostos ao sol e às altas temperaturas da capital, os jovens têm aulas de educação física em condições inadequadas. Devido ao calor extremo e à ausência de proteção solar, a direção cancelou um torneio interclasse que estava previsto para o final de setembro.
Uma professora do CEF 507, que preferiu não se identificar, afirmou que já solicitou melhorias à direção, mas sem sucesso. "O descaso é enorme. A escola está desabando, é uma escola feita de gambiarras", lamentou.
Além dos problemas físicos, há relatos de intimidação por parte da direção escolar quando os professores cobram providências. Os relatos indicam a prática de assédio moral, desrespeito verbal e retaliações institucionais contra os servidores que questionam as condições de trabalho.
Uma professora relatou que a gestão usa apelidos pejorativos e xenofóbicos. "Sou pernambucana, mas ele se refere a mim como ‘A paraibana’", disse a servidora, que afirma estar sofrendo assédio moral após questionar as condições estruturais da escola. Em outra ocasião, um professor foi insultado pelo diretor ao cobrar melhorias.
Mais sobre as acusações
- As ameaças de punição por parte da direção do CEF 507 utilizam mecanismos de avaliação funcional;
- Para servidores em estágio probatório, a intimidação ocorre sob ameaça de reprovação no processo avaliativo;
- Professores temporários recebem avaliações negativas que comprometem a continuidade dos contratos.
Apesar das críticas à direção, a comunidade escolar elogia a dedicação dos professores e a postura dos policiais militares que fazem parte da equipe disciplinar do modelo cívico-militar. Há relatos de que a escola acumula dívidas antigas e que as verbas repassadas não são discutidas previamente nem têm prestação de contas ao Conselho Escolar, descumprindo diretrizes de gestão democrática da rede pública.
A reportagem tentou contato com a direção do CEF 507 de Samambaia para obter explicações, e a gestão afirmou estar ciente do assunto. "As medidas adotadas serão manifestadas pela assessoria de comunicação da Secretaria de Educação", declarou o diretor Elisson dos Santos.
A situação foi formalizada junto ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para a investigação de possíveis irregularidades na aplicação de verbas públicas, assédio moral e negligência estrutural. O MPDFT informou que está analisando as informações por meio da Promotoria de Justiça Regional de Defesa dos Direitos Difusos (Proreg).
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) também foi acionada e respondeu por meio de nota:
“A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), por meio da Coordenação Regional de Ensino (CRE) de Samambaia, informa que recebeu, nesta terça-feira (6), a solicitação da unidade escolar para a manutenção do banheiro masculino. Serão adotadas as providências necessárias para que a reforma do espaço seja realizada imediatamente, garantindo condições adequadas de atendimento aos estudantes.
Cabe destacar que a unidade de ensino já foi contemplada com outros serviços de manutenção por meio do contrato vigente, atendendo às demandas encaminhadas pela CRE. Em 2025, foram executados serviços de manutenção elétrica geral e a retirada de uma estrutura do telhado da quadra. Já em 2026, realizaram-se a manutenção completa da caixa d’água e a reforma integral da quadra poliesportiva. A CRE ressalta, ainda, que não há registros de cancelamento de eventos escolares em decorrência das condições estruturais da unidade.
Em relação às denúncias envolvendo a gestão da escola, a SEEDF esclarece que as ocorrências encaminhadas anteriormente via Ouvidoria já foram objeto de apuração pela Corregedoria. Atualmente, há um novo processo em tramitação, também originado por denúncia na Ouvidoria, que se encontra em fase de apuração pela Corregedoria por meio de procedimento sigiloso, conforme determina a legislação aplicável“.







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