Flávio recua e elimina trecho da carta em que se declarou presidente do Brasil

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Flávio Bolsonaro altera carta e passa a se apresentar como “líder do Brasil”. (Foto: Instagram)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) retirou de uma carta divulgada nesta quarta-feira (28/10) a parte em que se intitulava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na versão revisada do documento, ele se apresenta como “líder do Brasil”.

A primeira versão foi divulgada depois que Flávio chegou aos Estados Unidos acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. No texto inicial, o senador se dirigia aos brasileiros e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Veja as duas versões:

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Na carta, o senador diz que deixou o Brasil para exercer a liderança política que, conforme afirma, não poderia desempenhar no país por causa do que considera perseguição política. Também agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela acolhida.

FLÁVIO QUESTIONA RESULTADO DAS ELEIÇÕES

No documento, Flávio põe em dúvida a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado em 25 de outubro. Ele alega que houve fraude eleitoral e critica uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a ampliação do horário de votação.

O senador também acusa integrantes do Judiciário de perseguir politicamente a ele e à família Bolsonaro. Segundo a carta, a suposta atuação teria a intenção de silenciá-lo e barrar sua participação na política. O documento apresenta as acusações, mas não inclui provas para sustentá-las.

Flávio afirma ainda que não planejava sair do Brasil, mas decidiu viajar com a família para os Estados Unidos por acreditar que estaria mais seguro. Ele nega ter fugido e diz que pretende comandar a oposição brasileira a partir do exterior.

“Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional”, escreveu.

RESULTADO NAS URNAS

Flávio perdeu o segundo turno das eleições, com 48,21% dos votos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 51,79%. A oposição reconheceu o resultado, assim como o Partido Liberal (PL) e o deputado Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio.

O resultado também foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por lideranças da comunidade internacional.

OPOSIÇÃO A PARTIR DOS ESTADOS UNIDOS

Flávio menciona ainda figuras históricas que atuaram politicamente fora de seus países — Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí — para defender sua decisão de permanecer no exterior.

O senador diz que pretende falar regularmente aos brasileiros e apresentar, nos próximos dias, um plano para mobilizar a oposição. Também pede que parlamentares e governadores aliados continuem atuando no país.

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, concluiu.

O texto da carta afirma:

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional na condição de líder do Brasil.

Quero começar agradecendo ao Presidente Milei por sua coragem, seu senso de justiça e seu compromisso com a legalidade; ao Presidente Trump; e ao povo americano, que nos recebeu tão bem. Esta é uma terra de liberdade, habitada por irmãos que compartilham os valores das pessoas de bem do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, acompanhei, estarrecido, a concretização de uma fraude eleitoral diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula possibilitou que uma impossibilidade matemática acontecesse: Lula somou mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada além da competência do TSE, ampliou a votação no último momento, e a ordem só chegou depois do encerramento do horário legal, quando as urnas já estavam fechadas. Eleitores foram submetidos a regras distintas. Até agora, o TSE apenas defendeu a extensão do horário e não apresentou uma resposta sequer que seja crível. E os problemas não se limitam às nulidades.

Durante toda a campanha, houve abuso de poder político e econômico e utilização da máquina pública para favorecer a reeleição. São fatos graves, proibidos expressamente pela lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio depressa. Como se seguisse um plano previamente preparado, sete minutos depois dessa repugnante fraude eleitoral, o juiz — envolvido em um enorme escândalo de corrupção, citado diretamente no inquérito usado para tentar sequestrar meus passaportes e que muito provavelmente estaria preso se não tivessem impedido minha posse — colocou em marcha a máquina de perseguição política do regime. Ele não tinha legitimidade para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim e é completamente suspeito. Sua simples participação em atos processuais revela o grau da arbitrariedade e da ilegalidade em curso.

Eu não pretendia deixar minha pátria, mas sei exatamente aonde isso vai levar. Esse é o roteiro clássico de um golpe de Estado. A perseguição política começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se estendeu a milhares de brasileiros patriotas comuns e até a cidadãos americanos. Seu único propósito é calar quem discorda do regime de exceção instalado no Brasil, por meio de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Deixo claro que não há mandado de prisão contra mim porque não cometi crime algum. O que há é uma caça às bruxas com motivação política, que pretendia me transformar em refém e instrumento de chantagem para proteger do impeachment os juízes corruptos da Suprema Corte. A sequência da perseguição é: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, por fim, condenação política.

Não vou expor minha família a isso, e meu país não merece passar novamente por esse vexame internacional. Diante do uso político da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos seguros. Agradeço novamente ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e oferecerem a segurança jurídica que já não temos no Brasil.

Quero esclarecer que não fugi do Brasil: saí pelo Brasil, deixando um regime de exceção para poder liderar como meu povo merece. Calado, preso e censurado, como está meu pai, eu não poderia exercer essa liderança, e seríamos submetidos ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte, repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter de lutar por seu país de longe. Rui Barbosa se exilou por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e, mesmo fora do país, continuou defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle conduziu a França Livre de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar seu país. José Martí organizou de Nova York a luta pela independência de Cuba. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González precisaram deixar o país por enfrentar a ditadura chavista. María Corina Machado, mesmo perseguida, recusou-se a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos foram chamados de criminosos pelos regimes que enfrentaram. A história lhes deu outro nome.

Este é só o início da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer aos meus 60 milhões de eleitores e ao povo brasileiro que sou o presidente eleito e que os criminosos que roubaram a eleição do Brasil fazem parte de uma organização criminosa que instaurou uma tirania. A vocês que desejavam mudança, digo que não vou abandoná-los: serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Faço um apelo às instituições brasileiras: essa sandice precisa acabar. Hoje, o Brasil enfrenta caos jurídico, corrupção e perseguição política; a oposição tem medo de se manifestar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhum país consegue viver em paz ou prosperar nessas condições. Ainda é possível restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

Peço à comunidade internacional que não normalize o que está acontecendo no Brasil. A situação atual no meu país não é normal e não deve ser tratada como se fosse.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, especialmente ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho, digo que sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para exercer plenamente a atividade política. Por isso, vou liderar a oposição daqui. Direi o que vocês não podem dizer aí e assumirei os riscos que não podem correr.

A você que votou em mim e sonha com a mudança, digo que não estamos derrotados nem estamos sozinhos. Esta é apenas a abertura da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou falar regularmente ao povo brasileiro e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o enorme apoio popular que temos, usando todos os meios pacíficos e legítimos para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e não desista.

Deixei o Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou em 25 de outubro. Ela só acabará quando o Brasil voltar a ser um país livre. Esse dia chegará.

Que Deus abençoe o Brasil.

Tags: carta, EUA, Flávio Bolsonaro

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