ATRIZ FALOU SOBRE A CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM E A IMPORTÂNCIA DE ABORDAR A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NA NOVELA
Tatiana Tiburcio esteve no show de Jão, realizado na noite deste sábado (31/10), no Rio de Janeiro, e conversou sobre a carreira e os trabalhos que vêm conquistando o público.
++ Nova tendência em IA permite criar conteúdo profissional em poucos minutos
Na ocasião, a atriz também falou sobre a expectativa de acompanhar Isabel Teixeira, sua colega de elenco em Quem Ama Cuida, no espetáculo do cantor.
++ Deolane Bezerra desenvolve doença grave na cadeia
A PARTICIPAÇÃO DE ISABEL TEIXEIRA NO SHOW DO CANTOR
Na apresentação, Isabel interpreta a entidade Morte e conduz o público por diferentes momentos do show, com monólogos entre os atos.
Apesar de admitir que ainda conhece pouco o repertório de Jão, Tatiana contou que a participação da colega aumentou sua curiosidade para assistir à apresentação.
“A expectativa tá altíssima, assim. Tô muito feliz de tá aqui. Confesso que eu conheço pouco o trabalho dele, queria conhecer um pouco mais, mas sabendo que a Isabel está participando, que ela tá fazendo uma performance bem interessante, me estimulou ainda mais para conhecer o som dele, que eu já curto. O pouquinho que eu conheço, já curto bastante, eu acho que eu vou gostar muito do que eu vou ver”, afirmou.
PERSONAGEM MARCANTE
Durante a conversa, a atriz também relembrou um dos trabalhos mais marcantes de sua trajetória: a interpretação de Mirtes Renata Santana de Souza no especial “Falas Negras”, exibido pela TV Globo em 2020.
Na produção, Tatiana deu vida à mãe de Miguel Otávio, menino de cinco anos que morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo no Recife. O caso ocorreu enquanto a mãe trabalhava no local, e a criança estava sob os cuidados da patroa dela.
Ao falar sobre a repercussão do papel, a artista destacou sua identificação com a história de Mirtes e a importância de representar mulheres negras em uma sociedade ainda marcada pelo racismo estrutural.
“Enquanto pessoa, eu acho não, tenho certeza, traz uma identificação muito forte no lugar de mulher, negra, mãe, num país tão preconceituoso ainda, tão racista ainda, estruturalmente racista e preconceituoso, há uma identificação de pele, tanto no que diz respeito ao óbvio, quanto a sentir na pele a dor do outro”, declarou.
Tatiana também refletiu sobre como histórias capazes de despertar empatia podem transformar não só quem as acompanha, mas também a maneira como os artistas se relacionam com o próprio trabalho.
“E quando situações e acontecimentos assim provocam empatia, não tem como não transformar a gente de uma maneira muito profunda. E isso acaba refletindo nos nossos trabalhos, na maneira como a gente se comporta e se apresenta para o trabalho e para a vida”, completou.
SUCESSO DE ROSA EM QUEM AMA CUIDA
Atualmente no ar como Rosa em “Quem Ama Cuida”, novela das nove da TV Globo, Tatiana definiu a experiência como um presente. Na trama, a personagem trabalha na casa do empresário Arthur Brandão, interpretado por Antonio Fagundes, e é mãe de Elenice (Mariana Sena), que vive um relacionamento abusivo com Tom (Allan Souza Lima).
A atriz acredita que a construção da personagem, que passou por mudanças antes mesmo do início das gravações, foi fundamental para a identificação do público. Segundo ela, o trabalho em conjunto com a direção e a equipe ajudou a romper estereótipos historicamente associados a personagens como Rosa na teledramaturgia.
“Ah, Quem Ama Cuida tá sendo assim um presenteço, porque a Rosa se transformou muito no decorrer, né? Na verdade, ela se transformou antes da gente começar a gravar. A parceria tanto com a direção quanto com toda a equipe na desconstrução de imaginários muito ratificados ali sobre figuras como a Rosa ajudou muito nessa unicidade, nessa independência dela”, explicou.
Para Tatiana, essa mudança permitiu que uma parcela do público se reconhecesse na personagem de uma forma diferente da representação que costuma aparecer na televisão.
“E isso é que trouxe a empatia do público para ela, sabe? Essa parcela de pessoas que não se viam antes nesse estereótipo tão ratificado durante anos e anos pela teledramaturgia, e que agora conseguem se enxergar nesse lugar”, acrescentou.
A atriz também ressaltou o papel da novela na transformação das representações sociais na televisão. “Então, eu acho que a Rosa é transformadora, ‘Quem Ama Cuida’ participa, efetivamente, óbvio, dessa transformação de um imaginário, e isso é primordial nesse momento de transformação que o mundo tá vivendo”, afirmou.
Questionada se sua personagem poderia ajudar a revelar quem matou Arthur Brandão, Tatiana brincou: “Eu tenho certeza”.
ATRIZ RECEBE RELATOS DE MULHERES QUE SE IDENTIFICAM COM A TRAMA
O drama de Elenice também ultrapassou a ficção. Tatiana contou que recebe mensagens de mulheres que se identificam com a situação vivida pela personagem e compartilham experiências pessoais, inclusive de quem conseguiu sair de relacionamentos violentos.
“Sim, eu recebo muito, muitas pessoas comentando nos posts que eu faço, mandando direct, falando sobre isso, né? Que conseguiram sair da situação, que conseguem, ‘como eu gostaria de ter tido uma mãe que tivesse me apoiado assim e tal’”, relatou.
A atriz afirmou que gostaria de acolher todas as pessoas que entram em contato, mas reconheceu que é preciso respeitar os limites de cada uma ao lidar com relatos tão delicados.
“Dá vontade de sair abraçando todo mundo, acolhendo todo mundo, dando um retorno para todo mundo, e que a gente tem que ter até muito cuidado, porque senão a gente sai invadindo a vida das pessoas também”, ponderou.
Por fim, Tatiana celebrou a possibilidade de a história apresentada na novela ajudar mulheres a reconhecer caminhos para romper o ciclo de violência. “Mas a troca é muito grande, assim, o retorno por essa situação é muito intenso, e eu fico feliz que esteja ajudando essas mulheres e o entorno dessas mulheres a enxergar caminhos possíveis para sair de uma situação como essa”, concluiu.
Já leu todas as notas e reportagens de hoje? Confira as demais reportagens.
Tags: atriz, novela








Leave a Reply