
Praias retêm microplásticos e ameaçam vida marinha, aponta estudo (Foto: Instagram)
Embora o papel das praias como locais de acumulação de resíduos plásticos ainda não tenha sido amplamente reconhecido, uma pesquisa recente revela que esses ambientes costeiros também funcionam como reservatórios significativos de microplásticos. O levantamento demonstra que fragmentos plásticos diminutos, menores que 5 milímetros, não se concentram apenas na coluna de água ou no fundo marinho, mas são retidos pelas areias, permanecendo depositados ao longo do tempo e podendo impactar ecossistemas locais.
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O estudo reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre a poluição por fragmentos plásticos, considerando que boa parte das pesquisas anteriores privilegiou o monitoramento de resíduos dispersos no oceano. A retenção nas praias está relacionada ao transporte executado pelas correntes marítimas e pela ação das ondas, que depositam essas partículas na borda costeira, onde acabam incorporadas à camada superficial de areia.
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Microplásticos são fragmentos plásticos resultantes da degradação de embalagens, redes de pesca, pneus e produtos de uso cotidiano, como cosméticos e roupas sintéticas. Por apresentarem dimensões reduzidas, eles escapam com facilidade dos sistemas tradicionais de tratamento de esgoto e, depois de lançados no meio ambiente, tendem a sofrer fragmentação adicional devido à ação de raios ultravioleta, variações de temperatura e atrito físico. Esse processo gera partículas cada vez menores, que podem permanecer anos nas areias das praias.
A retenção de microplásticos nos sedimentos litorâneos ocorre sobretudo na zona intertidal, área que fica entre a linha de maré alta e a de maré baixa. Nessa faixa, as forças de impacto das ondas perdem intensidade, facilitando o depósito de materiais sólidos. A composição granulométrica da areia, a vegetação típica de restinga e a presença de barreiras naturais, como dunas, também influenciam a capacidade de retenção desses fragmentos.
Do ponto de vista ambiental, acumular microplásticos nas praias representa um risco para a fauna marinha e terrestre local. Animais que vivem na orla ou fazem uso da areia como habitat — como caranguejos, aves costeiras e pequenos invertebrados — podem incidentemente ingerir essas partículas, que se confundem com alimento natural. A ingestão de fragmentos plásticos pode causar obstruções no sistema digestivo, liberação de substâncias tóxicas e efeitos subletais na reprodução e crescimento desses organismos.
Essa nova perspectiva de estudo aponta para a necessidade de ampliar as estratégias de monitoramento e manejo de resíduos plásticos nas zonas costeiras. Além de reduzir o despejo de plásticos nos oceanos, é importante implementar programas de limpeza e restauração de praias, bem como fomentar pesquisas que avaliem a dinâmica de deposição e a bioacumulação de microplásticos nos ecossistemas litorâneos.

