
Putin e Trump lado a lado em encontro diplomático, enquanto Moscou reafirma seus direitos históricos sobre o Ártico. (Foto: Instagram)
O presidente Vladimir Putin declarou que a anexação de determinadas áreas do Ártico está fundamentada em vínculos históricos que remontam a várias épocas da história russa, incluindo períodos pré-revolucionários e soviéticos. Para ele, essas regiões fazem parte natural do território nacional e têm sido objeto de mapas e documentos oficiais ao longo de séculos, reforçando a legitimidade da reivindicação. Putin ainda criticou uma recente iniciativa dos Estados Unidos no Ártico, interpretando-a como uma tentativa de contestar a influência russa naquela região de alto interesse estratégico.
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Em suas declarações, Putin ressaltou que, embora algumas nações busquem ampliar sua presença no Ártico por meio de projetos científicos e de segurança, a estratégia americana tem cunho geopolítico e visa equilibrar o poder russo-vostocêntrico. Ele sugeriu que, ao enfatizar pesquisas científicas e exercícios navais, Washington procura criar precedentes para questionar limites marítimos e territórios tradicionalmente controlados por Moscou. O presidente destacou que a história e a cartografia antiga atestam que, em diferentes períodos, comunidades de pescadores, exploradores e autoridades imperiais russas já operavam extensamente naquela faixa de litoral congelado.
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A presença russa no Ártico remonta ao século XVI, quando expedições científicas e comerciais começaram a sondar as águas geladas do Oceano Polar. Ao longo do tempo, comunidades indígenas, como os neenets e chukchi, passaram a interagir com colonos russos, estabelecendo rotas de comércio e trocas culturais. Durante a era soviética, o governo central intensificou a construção de bases e assentamentos no norte do país, visando explorar recursos naturais e garantir capacidade de projeção militar em uma região estratégica. Essa trajetória histórica é frequentemente citada por autoridades de Moscou para reforçar reivindicações territoriais.
No plano jurídico internacional, as delimitações no Ártico dependem, em grande parte, da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), que regula os limites da plataforma continental e a jurisdição costeira. Estados com litoral no alto Norte podem apresentar reivindicações à Comissão de Limites da Plataforma Continental, mostrando dados geológicos e batimétricos que comprovem a extensão natural de seu território abaixo da superfície marinha. A Rússia já submeteu dossiês detalhados à organização, mas há discordâncias com outras potências, em especial países que também tentam ampliar seus direitos sobre áreas com potencial de reservas de minerais e gás.
A importância geoestratégica do Ártico tem crescido nas últimas décadas devido ao aumento do interesse em rotas marítimas mais curtas, como a Rota Marítima do Norte, que pode reduzir a distância entre a Europa e a Ásia em milhares de quilômetros se comparada às rotas tradicionais pelo Canal de Suez. Além disso, estima-se que a região armazene grandes reservas de petróleo, gás natural e minerais, o que atrai investimentos de grandes empresas de energia. Na esfera militar, a instalação de infraestrutura de radar, mísseis e portos gelados traduz a disposição das nações em garantir vigilância e capacidade de resposta rápida a eventuais crises.
Diante desse cenário, Putin afirmou que a contestação americana faz parte de uma disputa de poder pela supremacia no Ártico, onde dimensões climáticas, econômicas e de segurança se entrelaçam. Segundo ele, a Rússia continuará defendendo seus direitos históricos com base em documentos antigos, mapas e achados arqueológicos, ao mesmo tempo em que mantém canais de diálogo diplomático para solucionar eventuais conflitos por via pacífica.

