
Subnotificação de feminicídios compromete estratégias de combate à violência de gênero (Foto: Instagram)
No ano passado, o país registrou ao menos 1.470 mulheres assassinadas, número que pode ser ainda maior considerando a ausência de informações completas em quatro estados. A contabilização leva em conta notificações oficiais de ocorrências violentas, mas enfrenta lacunas que impedem um retrato exato da gravidade do problema. Em meio a esse cenário, a dimensão do desafio vai além dos homicídios diretos e abrange casos que poderiam ser classificados como violência de gênero, exigindo análise cuidadosa dos diferentes contextos em que esses crimes ocorrem.
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Essas quatro unidades federativas sem dados consolidados contribuem para subestimativas que prejudicam políticas públicas e ações de prevenção. Em diversas regiões, a falta de padronização no registro das ocorrências faz com que circunstâncias de dolo e motivos relacionados à discriminação de gênero fiquem sobreportadas ou não sejam registradas. A fragmentação das informações limita a atuação de órgãos de segurança, dificulta o monitoramento de tendências e compromete o planejamento de medidas específicas para reduzir o número de mortes violentas de mulheres.
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Além das falhas de registro, a realidade de violência contra as mulheres envolve fatores sociais, econômicos e culturais que potencializam situações de risco. A cobrança por apuração eficiente e por investigação criteriosa é constante, mas enfrenta desafios como insuficiência de recursos, treinamento especializado e sobrecarga de procedimentos judiciais. Esse panorama reforça a necessidade de aprimorar o fluxo de informações entre delegacias, institutos de perícia e demais entidades responsáveis por lidar com casos de agressão, garantindo atendimento adequado e rastreamento das ocorrências.
Mesmo diante das limitações, o índice de 1.470 feminicídios indica urgência na implementação de estratégias de prevenção e amparo às vítimas em situação de perigo. A subnotificação pode mascarar regiões com patamares mais elevados de violência, dificultando a alocação precisa de investimentos em segurança pública e programas de acolhimento. O debate público sobre o tema precisa transcender as estatísticas, incorporando vozes de sobreviventes, especialistas em direitos humanos e representantes de setores que atuam na linha de frente contra a violência de gênero.
Para avançar no enfrentamento dessa questão, é fundamental fortalecer mecanismos de coleta de dados em todo o território nacional, incluindo capacitação de equipes, padronização de protocolos de notificação e uso de tecnologias que agilizem o cruzamento de informações. Somente com base em números confiáveis será possível avaliar o real impacto das políticas existentes e identificar lacunas que demandem intervenção imediata. Em última análise, reduzir o número de mulheres vítimas de homicídio exige compromisso contínuo de autoridades, sociedade civil e demais atores envolvidos na promoção da segurança e da igualdade de gênero.

