
Polícia Federal e Marinha do Brasil exibem cocaína apreendida no Porto de Santos (Foto: Instagram)
O Porto de Santos se destaca como principal epicentro de expedição de cocaína do PCC para a Europa e a África, movimentando volumes que somam bilhões de reais anualmente. Analistas estimam que grande parte do entorpecente produzido em várias regiões do Brasil é escoada por esse porto, transformando-o no maior ponto de saída de drogas do país e em rota estratégica para mercados consumidores na Europa e na África.
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As apreensões realizadas nos últimos anos revelam o uso sistemático de contêineres de exportação como modo de ocultar a mercadoria ilícita. Fontes de inteligência indicam que cargas aparentemente lícitas, como equipamentos industriais e produtos agrícolas, são escolhidas para encobrir fardos de cocaína. Estima-se que cada tonelada de cocaína embarcada gere cifras na casa das dezenas de milhões de reais no mercado europeu, enquanto a parcela que chega ao continente africano também movimenta recursos equivalentes, reforçando o caráter bilionário desse contrabando.
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O Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que emergiu nas prisões do interior paulista no início dos anos 1990, ampliou seu alcance de atuação e hoje coordena intricadas operações de tráfico internacional por mar. A força da estrutura logística do PCC extravasa fronteiras estaduais e envolve agentes especializados em roteiros clandestinos, documentos falsificados e conivência de operadores portuários. A diversificação de métodos tornou-se essencial para driblar a fiscalização, com células dedicadas a cada etapa da expedição.
Técnicas de ocultação adotadas pelos traficantes incluem o uso de caixas de madeira reforçadas, espaços ocultos no assoalho de contêineres e até mesmo a mistura da droga em cargueiros de produtos inspecionados de forma superficial. O Porto de Santos, por sua extensão e fluxo intenso de contêineres, apresenta desafios estruturais para a vigilância. A rotação acelerada de navios e a multiplicidade de terminais favorecem brechas de fiscalização, criando corredores de passagem menos vistoriados.
O impacto econômico desse esquema é avassalador. Cálculos de órgãos de segurança apontam que o PCC embolsa, anualmente, uma fatia bilionária proveniente apenas das remessas que saem pelo Porto de Santos. Embora parte do valor seja reinvestida em estruturas do crime organizado, outra parcela é convertida em ativos lícitos, dificultando o rastreamento dos recursos. Para conter essa operação, as autoridades brasileiras trabalham em parceria com agências internacionais, compartilhando informações sobre rotas marítimas e perfis de embarque. No entanto, a sofisticação crescente das técnicas de tráfico exige atualização constante nos mecanismos de controle portuário, segurança de fronteiras e cooperação transnacional.

