
Proteína derivada de tumor humano atravessa a barreira hematoencefálica e reduz placas de Alzheimer em camundongos (Foto: Instagram)
Pesquisadores realizaram um estudo com camundongos que revela a capacidade de uma proteína originária de tumores humanos de atravessar a barreira hematoencefálica e atuar diretamente no cérebro, desfazendo as placas associadas ao Alzheimer. Os resultados apontam para a identificação de um mecanismo inédito de degradação de depósitos de proteína β-amiloide, característicos da doença de Alzheimer, em modelos animais. Essa descoberta abre caminho para novas linhas de investigação sobre terapias que possam aproveitar esse efeito de maneira controlada e segura em seres humanos.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
No experimento, os cientistas inseriram células tumorais humanas em camundongos geneticamente modificados para apresentar acúmulo de placas amiloides semelhantes às encontradas em pacientes com Alzheimer. A proteína isolada dos tumores foi identificada através de análises bioquímicas detalhadas e, quando administrada nos roedores, demonstrou capacidade de se espalhar pela corrente sanguínea, atingir o tecido cerebral e interagir com os agregados de β-amiloide. Observou-se, então, uma redução significativa dessas estruturas patológicas sem causar inflamação exagerada ou danos secundários ao tecido nervoso.
++ Coreia do Norte condena bebê de 2 anos à prisão perpétua por família ter em casa uma bíblia
A doença de Alzheimer é caracterizada pela formação de placas extracelulares de β-amiloide e emaranhados neurofibrilares compostos pela proteína tau hiperfosforilada. Essas alterações promovem perda de sinapses, morte de neurônios e declínio cognitivo progressivo, resultando em sintomas como perda de memória, desorientação e alterações comportamentais. Até o momento, as terapias aprovadas atuam principalmente na tentativa de reduzir sintomas ou desacelerar o progresso da doença, mas sem eliminar completamente os depósitos amiloides. O uso de moléculas ou proteínas capazes de degradar essas placas representa um avanço potencial em termos de tratamento.
A barreira hematoencefálica é formada por células endoteliais que regulam rigorosamente a entrada de substâncias no cérebro, protegendo-o de toxinas, patógenos e flutuações químicas. Contudo, essa estrutura também dificulta a passagem de fármacos e âncoras terapêuticas. A capacidade demonstrada pela proteína de tumor humano de contornar essa barreira e agir diretamente sobre depósitos nocivos mostra-se promissora para o desenvolvimento de vetores, nanocarreadores ou modificações moleculares que facilitem o acesso de agentes terapeuticamente ativos ao sistema nervoso central.
Apesar do entusiasmo, os resultados obtidos em camundongos ainda precisam ser validados em estudos pré-clínicos adicionais e, posteriormente, em ensaios clínicos controlados para avaliar segurança, dosagem adequada e possíveis efeitos adversos em humanos. A tradução desse achado para aplicações médicas depende de uma série de experimentos que comprovem a eficácia replicada em diferentes modelos, bem como a viabilidade de produção e administração da proteína em larga escala. No entanto, esta investigação reforça a importância de explorar mecanismos biológicos inesperados e amplia o leque de abordagens no combate ao Alzheimer.

