Theresa Kachindamoto, tradicional líder tribal do povo Ngoni no Malawi, ganhou destaque internacional por sua atuação firme contra o casamento infantil em sua comunidade. Nomeada Chefe-Suprema (Inkosi) do distrito de Dedza, no centro do país, ela chamou atenção ao anular centenas de uniões de crianças e adolescentes que violavam os direitos humanos e impediam meninas de continuar seus estudos.
Entre 2012 e 2015, Kachindamoto ficou chocada com as elevadas taxas de casamentos envolvendo meninas menores de idade, uma prática comum, especialmente em áreas rurais, onde famílias pobres muitas vezes consideravam essa união uma forma de garantir sustento ou aliviar encargos econômicos. Determinada a enfrentar a tradição, ela reuniu líderes locais, pais, religiosos e organizações comunitárias para discutir os impactos negativos dessa prática nos direitos das crianças.
A tradicional chefe tribal não apenas proibiu novas uniões de menores de idade, como também anulou cerca de 850 casamentos consuetudinários envolvendo crianças e adolescentes em apenas três anos de liderança, insistindo que todas as meninas voltassem à escola e continuassem sua educação formal. Essa ação ousada se destacou como um dos episódios mais visíveis de enfrentamento ao casamento infantil no país e inspirou movimentos de proteção de direitos de meninas em outras regiões.
Para fortalecer sua estratégia, Kachindamoto chegou a suspender subchefes que permitiam que essas uniões continuassem, os reintegrando somente depois de confirmar que os casamentos haviam sido anulados e que as meninas retornaram à educação. Muitas vezes, ela também se envolveu pessoalmente em negociações comunitárias para convencer famílias a abandonar a prática e priorizar a educação e o bem-estar das crianças.
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O impacto da sua liderança não se limitou a decretos e anulações: ela transformou a forma como a comunidade encarava o papel das meninas e adolescentes no Malawi, promovendo debates sobre direitos humanos, igualdade de gênero e educação. Sua atuação repercutiu internacionalmente e serviu como referência em discussões globais sobre como líderes tradicionais podem impulsionar mudanças sociais profundas em contextos onde costumes milenares ainda predominam.
Além disso, movimentos e organizações internacionais, como UN Women e UNICEF, reconheceram a importância de tais iniciativas e apoiaram esforços para que medidas semelhantes sejam adotadas em outras comunidades que enfrentam taxas elevadas de casamento infantil. No cenário global, a história de Kachindamoto passou a ser citada como um exemplo de liderança comunitária que alia respeito cultural à promoção de direitos e igualdade de oportunidades para meninas e mulheres.

