
Lula defende esforço regional para solucionar crise na Venezuela ao chegar ao Panamá (Foto: Instagram)
Ao desembarcar em Panamá para participar de reuniões regionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não será o Brasil nem os Estados Unidos que farão frente à crise política e humanitária na Venezuela em caso de eventual queda de Nicolás Maduro. Lula defendeu que a solução deve vir de um esforço coletivo de nações latino-americanas e caribenhas, ressaltando a importância da cooperação regional para enfrentar desafios comuns.
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O mandatário reforçou que Brasil e Estados Unidos podem contribuir em diálogo diplomático, mas não devem assumir sozinhos a responsabilidade de reconstruir instituições venezuelanas após o término do governo de Maduro. Lula destacou ainda que qualquer processo de transição política na Venezuela exige a participação de organismos multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU), para garantir legitimidade e neutralidade.
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A crise venezuelana se aprofunda desde a ascensão de Nicolás Maduro ao poder, em 2013, sucedendo Hugo Chávez. O país enfrenta colapso econômico, hiperinflação e escassez de bens básicos, fatores que provocaram a saída de milhões de venezuelanos rumo a nações vizinhas, sobretudo Colômbia, Brasil e Peru. Organizações internacionais estimam que mais de sete milhões de migrantes deixaram a Venezuela nos últimos anos, impactando diretamente os sistemas públicos de saúde, educação e assistência social dessas regiões.
Desde o início de seu mandato, Lula tem sinalizado uma retomada do papel geopolítico do Brasil na América Latina, adotando posição favorável ao diálogo e à negociação. Ele sustenta que uma abordagem isolada, liderada por uma só capital, seja Brasília ou Washington, estaria longe de promover estabilidade política duradoura na Venezuela. Ao defender soluções conjuntas, Lula reiterou a necessidade de respeitar soberanias nacionais e garantir eleições livres, justas e observadas por entidades internacionais reconhecidas.
Em eventos paralelos em Panamá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra-se com chefes de Estado e representantes de organismos regionais para discutir temas como segurança alimentar, mudança climática e crise migratória. Durante esses encontros, Lula mencionou que o Brasil pretende articular um fórum ampliado de países latino-americanos e caribenhos para elaborar um plano de auxílio humanitário e de reconstrução institucional à Venezuela, caso haja transição governamental após a queda de Maduro.
A declaração de Lula ao chegar em Panamá ocorre em um momento de crescente tensão diplomática, com Estados Unidos ponderando sanções adicionais contra figuras do regime de Nicolás Maduro, enquanto Brasília defende negociação política como único caminho para a retomada da democracia. Com sua chegada, Lula busca ressaltar o protagonismo brasileiro em processos de mediação, contrapondo-se ao modelo de intervenções unilaterais e afirmando que somente a união de países regionais garantirá uma saída pacífica e sustentável para a crise venezuelana.

