O fundo Ares Management deu início a um processo destinado a assumir o controle da Eagle Football Holdings (EFH), holding que detém a Sociedade Anônima do Futebol do Botafogo. Como principal credor, a Ares Management acionou em tribunal britânico uma cláusula de proteção ao crédito diante do agravamento das finanças e dos riscos societários da Eagle Football Holdings. A medida inclui o afastamento de John Textor da chefia operacional da EFH, anunciando uma mudança significativa na estrutura de governança de uma empresa que concentra investimentos em projetos multiclubes, com reflexos diretos na gestão do Botafogo.
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Segundo apuração do jornal O GLOBO, a decisão da Ares Management foi motivada por uma reorganização interna promovida por John Textor nesta semana, que resultou na saída de membros independentes do conselho de governança da Eagle Football Holdings. Os credores interpretaram esse movimento como um fator adicional de risco, levando à ativação das garantias contratuais previstas para cenários de deterioração na governança ou descumprimento de obrigações. Essa cláusula permite ao credor proteger seu investimento ao assumir o comando societário em situações de aumento de inadimplência ou de riscos que possam comprometer a viabilidade da holding.
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Apesar da mudança determinada pela Ares Management no topo da Eagle Football Holdings, o impacto direto para o Botafogo é restrito sob o ponto de vista societário. A EFH segue como controladora da SAF alvinegra, e qualquer alteração na administração do clube depende de deliberação do Conselho da SAF ou do fim da liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atualmente mantém congelada a composição do órgão e toda a estrutura de governança. A criação da Sociedade Anônima do Futebol foi concebida para profissionalizar a gestão dos clubes brasileiros, estabelecendo conselhos de administração e fiscal para ampliar transparência.
Neste momento, John Textor permanece à frente do Botafogo, conforme assegurado pela liminar em vigor. Em contato com O GLOBO, o empresário afirmou que seguirá no comando da Eagle Football Holdings e trabalha para reverter as medidas adotadas pelos credores. Ele também declarou a intenção de realizar ainda nesta semana um aporte financeiro no Botafogo, visando resguardar a SAF dos reflexos da crise internacional que afeta a holding e minimizar eventuais impactos no mercado de transferências.
A Ares Management vinha adotando flexibilizações contratuais para dar à Eagle Football Holdings espaço para reorganizar suas dívidas e negociar prazos. Contudo, com o aumento das tensões internas na EFH e sem uma solução definitiva para o endividamento, o fundo decidiu assumir diretamente o controle da empresa. Até o momento, a disputa concentra-se na relação de credor e devedor no âmbito da Eagle Football Holdings, sem interferir nas operações cotidianas dos clubes sob gestão da holding.
A possível retirada de John Textor do comando operacional da Eagle Football Holdings representa um enfraquecimento de sua estratégia de gestão multiclubes, centrada na EFH. No Botafogo, o novo cenário eleva as incertezas de curto prazo, já que o aporte emergencial anunciado — supostamente aprovado pelo conselho da Eagle Football Holdings — tem por objetivo derrubar o transfer ban imposto pela Fifa em decorrência da dívida com o Atlanta United e a MLS pela contratação de Almada. A operação envolve empréstimo com juros elevados e garantias vinculadas à venda de atletas, o que tem gerado resistência interna na SAF, além de dúvidas sobre cronograma, viabilidade e autorização final. Caso o aporte não se concretize conforme planejado, o Botafogo poderá enfrentar restrições adicionais de caixa e menor margem de atuação no mercado, em um momento de dependência de recursos para honrar compromissos e sustentar o planejamento esportivo.

