O homem mais rico do Brasil está afundado em dívida de propósito

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O empresário Jorge Paulo Lemann, considerado o homem mais rico do Brasil, consolidou um dos maiores impérios empresariais do mundo com uma estratégia baseada em grandes aquisições financiadas por empréstimos. O modelo, conhecido no mercado como compra alavancada (leveraged buyout), utiliza recursos obtidos junto a bancos para adquirir empresas, cuja própria geração de caixa passa a ser usada para quitar a dívida assumida na operação.

A estratégia ganhou força a partir de 1999, quando Brahma e Antarctica se uniram para formar a Ambev, empresa que rapidamente passou a dominar o mercado brasileiro de cervejas. No mesmo ano, a norte-americana Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, apresentou uma proposta de US$ 2 bilhões para adquirir a companhia. A oferta foi recusada.

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Anos depois, a decisão mostrou o rumo pretendido pelos controladores. Em 2008, o grupo liderado por Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira comprou a própria Anheuser-Busch por cerca de US$ 52 bilhões, formando a AB InBev, atualmente uma das maiores cervejarias do mundo.

Grande parte dos recursos utilizados nessas aquisições veio de financiamentos obtidos junto a instituições financeiras. Nesse tipo de operação, é comum que a empresa adquirida utilize sua geração de caixa para amortizar a dívida contraída na compra.

O mesmo modelo foi aplicado em outras negociações realizadas pela 3G Capital, gestora fundada pelo trio de empresários. Entre elas estão a aquisição do Burger King, em 2010, por aproximadamente US$ 4 bilhões, e da Heinz, em 2013, por cerca de US$ 23 bilhões, em parceria com o investidor Warren Buffett.

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Além da estratégia financeira, o grupo ficou conhecido pela gestão baseada em forte controle de custos, metas rigorosas e avaliação constante de desempenho. O modelo busca aumentar a eficiência operacional das empresas adquiridas, reduzindo despesas e elevando a rentabilidade.

Nos últimos anos, porém, esse estilo de administração passou a ser novamente discutido após a crise envolvendo a Americanas. Em 2023, a varejista informou inconsistências contábeis estimadas em mais de R$ 25 bilhões, fato que desencadeou investigações sobre a condução financeira da companhia. A empresa afirmou que as irregularidades estavam relacionadas a fraudes contábeis praticadas por antigos executivos, enquanto as apurações seguem em andamento.

Atualmente, a AB InBev mantém um elevado nível de endividamento, característica comum em grupos que utilizam aquisições alavancadas como estratégia de expansão. Nesse modelo, a dívida é tratada como instrumento de crescimento, desde que a empresa adquirida tenha capacidade de gerar caixa suficiente para cumprir seus compromissos financeiros.

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