
Mulher visivelmente estressada cobre o rosto ao receber críticas em frente ao computador (Foto: Instagram)
A crítica tem um impacto imediato no funcionamento cerebral, acionando regiões associadas a alerta e vigilância, enquanto mensagens de reconhecimento frequentemente não geram o mesmo nível de resposta neural. Psicóloga e psiquiatra esclarecem que, sob o ponto de vista evolutivo, nosso cérebro está mais atento àquilo que representa ameaça ou necessidade de adaptação, motivo pelo qual comentários negativos têm efeito mais pronunciado no curto prazo do que elogios.
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Estudos em neurociência indicam que áreas como a amígdala e o córtex pré-frontal dorsomedial são fortemente ativadas diante de críticas. Essas estruturas estão envolvidas no processamento de emoções negativas, no autocontrole e na avaliação de riscos sociais. Por outro lado, elogios podem estimular regiões ligadas ao sistema de recompensa, como o núcleo accumbens, mas com intensidade geralmente menor, o que pode levar a reação mais discreta. Segundo a psicóloga e psiquiatra, essa diferença de resposta explica por que somos mais propensos a lembrar de críticas do que de louvores.
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Em termos comportamentais, a psicóloga e psiquiatra apontam que o cérebro prioriza informações que possam representar perigo ou necessidade de mudança, um resquício de mecanismos de sobrevivência desenvolvidos ao longo da evolução humana. Esse viés de negatividade faz com que comentários críticos sejam processados com rapidez e fiquem armazenados de forma mais vívida em nossa memória, enquanto os elogios, vistos como confirmatórios, tendem a ser recebidos com menos urgência cognitiva.
Além disso, a resposta emocional às críticas pode desencadear reações fisiológicas, como aumento da frequência cardíaca e liberação de cortisol, hormônio do estresse. A presença desses marcadores biológicos reforça a atenção do indivíduo ao feedback negativo, numa espécie de “modo de defesa” mantido até que a avaliação externa seja considerada não ameaçadora. Já o elogio, ao gerar sensações agradáveis e reforço positivo, não costuma ativar esse circuito de alarme, tornando-se menos memorável.
Para equilibrar esses efeitos, a psicóloga e psiquiatra recomendam estratégias de comunicação que combinem críticas construtivas com elogios estratégicos, conhecidas como “feedback sanduíche”. Essa abordagem visa amenizar a ativação excessiva de circuitos de estresse, ao mesmo tempo em que fortalece o reconhecimento do comportamento adequado, estimulando tanto a atenção quanto a motivação para mudanças.

