
Menina autista de 4 anos resgatada após três dias perdida em área de mata (Foto: Instagram)
Uma Menina autista de 4 anos esteve desaparecida por três dias em uma região de mata próxima à casa de sua família e foi resgatada por equipes de busca na manhã desta sexta-feira. Segundo informações dos bombeiros, a criança estava desorientada, desidratada e com arranhões, mas sem ferimentos graves. Os familiares relataram que ela costuma se sentir insegura em ambientes desconhecidos e, em situações de estresse, tende a afastar-se em silêncio, o que dificultou a localização imediata.
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Nas operações de busca, policiais militares, bombeiros e voluntários percorreram trilhas e clareiras, utilizando cães farejadores e drones. A articulação entre os órgãos de segurança se deu desde o momento em que a família registrou o desaparecimento. Ao ser localizada, a menina foi encaminhada a uma unidade de saúde local, onde recebeu soro e acompanhamento clínico. O caso reacende o debate sobre a necessidade de protocolos específicos para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que podem reagir de forma diferente em situações de risco e exigir estratégias de procura adaptadas.
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O TEA é uma condição neurológica caracterizada por alterações na comunicação social e comportamentos repetitivos, segundo critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e da Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Nesse espectro, cada criança manifesta diferentes níveis de habilidades e dificuldades. No caso desta Menina autista de 4 anos, observou-se sensibilidade sensorial bastante acentuada, o que aumentou o risco de ela se perder em uma área com vegetação densa e obstáculos naturais.
Nas últimas décadas, o número de crianças com diagnóstico de TEA tem crescido no mundo todo, e no Brasil não é diferente. Especialistas apontam que parte desse aumento decorre da ampliação dos critérios diagnósticos, maior capacitação de profissionais de saúde e campanhas de conscientização voltadas a pais e educadores. Além disso, há acesso mais fácil a avaliações multidisciplinares, envolvendo pediatras, psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais, o que eleva a probabilidade de identificar sinais precoces.
Pesquisas realizadas por instituições nacionais e internacionais indicam que a prevalência de TEA pode variar de 1% a 2% da população infantil, dependendo da metodologia adotada em cada levantamento. Em contextos escolares, a inclusão de alunos com autismo tem motivado escolas a oferecer acomodações pedagógicas, formação continuada de professores e estruturas específicas para favorecer o aprendizado e a socialização. Essas medidas contribuem para que famílias e comunidades entendam melhor as necessidades dessas crianças.
A identificação precoce do Transtorno do Espectro Autista e o início imediato de intervenções terapêuticas são fundamentais para o desenvolvimento de competências cognitivas, linguísticas e sociais. Programas baseados em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), as intervenções fonoaudiológicas e terapias ocupacionais podem favorecer a aquisição de habilidades e reduzir comportamentos de risco. No caso relatado, a menina recebeu orientações de terapeutas para lidar com ambientes abertos e passará por acompanhamento contínuo para prevenção de novos episódios de fuga.

