
Prefeitura lacra Bar do Jackson no Bixiga (Foto: Instagram)
O Siriogoela e o Bar do Jackson, casas tradicionais do samba no bairro do Bixiga, em São Paulo, tiveram as entradas obstruídas com tijolos pela Prefeitura, que alegou “alto número de reclamações” de moradores e frequentadores. A ação de lacração foi realizada na manhã desta quinta-feira, envolvendo agentes da administração municipal e deixando as portas dos dois estabelecimentos completamente vedadas.
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Segundo a Secretaria de Urbanismo e Licenciamento, os autos de infração apontaram descumprimento de normas de funcionamento, sobretudo em relação a limites de horário, níveis de ruído e segurança do local. A prefeitura informou que notificações anteriores não foram atendidas pelo Siriogoela nem pelo Bar do Jackson, o que acabou motivando a aplicação da medida extrema de fechamento provisório.
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O processo de reclamações que culminou no lacre mobilizou moradores vizinhos, que reclamaram tanto do aumento do volume sonoro — frequentemente ultrapassando limites permitidos pela legislação municipal de controle de barulho — quanto da circulação intensa de público até altas horas. A intermediação entre proprietários e vizinhança vinha ocorrendo há meses, mas não houve acordo para adequação imediata das estruturas do Siriogoela e do Bar do Jackson.
O bairro do Bixiga é reconhecido há décadas como um dos principais redutos do samba em São Paulo, reunindo uma série de quadras, botecos e espaços culturais que atraem apaixonados pelo gênero musical. Desde meados do século 20, o Bixiga desenvolveu identidade própria com rodas de samba que misturam músicos consagrados e talentos em ascensão, formando um circuito valorizado por turistas e pesquisadores de cultura popular.
Inaugurado há mais de duas décadas, o Siriogoela consolidou-se como ponto de encontro para sambistas que buscam apresentações ao vivo em ambiente intimista. O estabelecimento ganhou destaque ao manter programação regular de ensaios, workshops e rodas de samba com bandas convidadas, atraindo público diverso nas noites de sexta-feira e sábado. A intervenção municipal interrompeu justamente essa rotina cultural que muitos consideram parte do patrimônio imaterial paulista.
Já o Bar do Jackson, aberto há cerca de quinze anos, acompanhou a expansão do Bixiga como destino de lazer noturno. Com cardápio centrado em petiscos tradicionais e chope artesanal, o espaço reuniu gerações de frequentadores sob o som de violões, pandeiros e surdos. A paralisação das atividades do Bar do Jackson representa uma mudança brusca no calendário de eventos locais, afetando músicos e apoiadores do samba na região.

