
Fachada do Instituto do Coração, em São Paulo, onde será realizado o transplante pioneiro (Foto: Instagram)
Uma criança de 1 ano aguarda para receber o órgão doado por um bebê de 3 meses em um procedimento inédito e delicado que será realizado no InCor, na capital paulista. O transplante pediátrico vem sendo preparado há semanas por uma equipe multidisciplinar, que envolve cirurgiões, anestesistas, enfermeiros e especialistas em cuidados intensivos para garantir o melhor resultado possível.
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O processo de captação de órgãos para crianças é regido por normas específicas no Brasil, onde o sistema nacional de transplantes prioriza casos de maior urgência e compatibilidade biológica. Entre os pacientes pediátricos, a lista de espera costuma incluir principalmente recém-nascidos e crianças pequenas com doenças congênitas ou falências orgânicas. Em 2023, o país registrou mais de 20 notificações de doadores com menos de um ano de idade, mas apenas uma fração desses órgãos pode ser utilizada em virtude das condições clínicas e de viabilidade cirúrgica.
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Realizar um transplante em pacientes tão jovens demanda atenção especial a fatores como a dosagem de medicamentos imunossupressores, a fragilidade das vias vasculares e o ritmo acelerado de crescimento corporal. As equipes cirúrgicas do InCor estão preparadas para lidar com adaptações técnicas, como o uso de pinças e suturas de calibre reduzido, além de monitorar continuamente sinais vitais sensíveis, como pressão arterial e temperatura corporal. Após a cirurgia, o pós-operatório será acompanhado em unidade de terapia intensiva pediátrica, com equipamentos de suporte avançado e monitorização neurológica.
O Instituto do Coração (InCor) é referência nacional em transplantes de alta complexidade desde a década de 1980. Em sua trajetória, já realizou milhares de transplantados renais, hepáticos, cardíacos e pulmonares, atendendo a pacientes de todas as idades. A instituição também desenvolve protocolos de pesquisa clínica e forma novos especialistas em cirurgia cardiovascular. Essa tradição de excelência e inovação é um dos alicerces para que o transplante infantil com doador de 3 meses se torne possível.
O caso reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos entre familiares de pacientes pediátricos e aumentar o diálogo entre equipe médica e sociedade. Cada doação representa não apenas a esperança de vida para uma criança, mas também um exemplo de solidariedade em meio a situações de grande aflição. Aguardam-se, agora, os desfechos clínicos que poderão marcar um novo capítulo na história dos transplantes pediátricos no Brasil.

