Câmeras de segurança registraram o instante em que um funcionário manipula produtos químicos na piscina de uma academia na Zona Leste de São Paulo, onde Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, veio a óbito no último sábado (7/2). A Polícia Civil investiga se a morte da aluna de natação foi provocada por intoxicação após a inalação das substâncias empregadas na higienização do ambiente.
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Nos registros obtidos e publicados pelo G1, o homem designado pelas autoridades como manobrista aparece misturando dois ou mais produtos químicos em um balde. A interação entre esses componentes gerou uma fumaça densa que se espalhou por toda a área interna da academia. Em determinado momento, ele chega a posicionar a mistura perigosamente perto da borda da piscina, enquanto estudantes permaneciam na água, aguardando o término da aula antes de iniciar a limpeza do local.
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Segundo o delegado Alexandre Bento, responsável pelas apurações no 42º Distrito Policial, o funcionário não chegou a despejar os compostos diretamente na água, mas deixou o salão antes de qualquer intervenção. Contudo, pela concentração dos gases observada nas imagens, acredita-se que a fumaça tenha se acumulado no ambiente fechado e sido inalado por frequentadores, resultando em possível asfixia química.
Juliana Faustino Bassetto frequentava as aulas de natação há 11 meses, sempre acompanhada pelo marido, Vinicius de Oliveira, que também passou mal após a sessão e segue internado em estado grave. Um adolescente de 14 anos, presente na mesma atividade, encontra-se em condição semelhante. Após a ocorrência, a Subprefeitura da Vila Prudente determinou a interdição imediata do estabelecimento por irregularidades documentais e ausência de alvará de funcionamento adequado.
Especialistas em segurança de piscinas alertam que o manuseio de substâncias como hipoclorito de sódio, ácidos e algicidas requer treinamento específico e equipamentos de proteção individual (EPIs), incluindo luvas, óculos de proteção e máscaras contra vapores. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece normas que proíbem a combinação de determinados produtos, pois reações químicas adversas podem liberar cloro gasoso ou outros fumos tóxicos.
Em ambientes fechados, a distribuição de gases aumenta o risco de intoxicação por inalação, especialmente quando não há sistema de renovação de ar ou exaustão apropriado. A recomendação técnica indica que a aplicação de químicos deva ocorrer em horários sem a presença de usuários, com ventilação reforçada e, preferencialmente, por profissionais qualificados e supervisionados.
A investigação policial agora busca identificar o responsável pela mistura e apurar eventuais falhas no treinamento dos funcionários ou omissões da direção da academia. Conforme previsto no Código Penal, o envolvimento em crime culposo por lesão corporal ou homicídio por imprudência pode resultar em responsabilização criminal. Familiares de Juliana Faustino Bassetto aguardam laudos toxicológicos e dão apoio à apuração dos fatos.

