Martine e Louise Fokkens, gêmeas holandesas de 83 anos, ficaram conhecidas internacionalmente após mais de cinco décadas atuando como profissionais adultas no Distrito da Luz Vermelha, em Amsterdã. Ao longo da carreira, elas afirmam ter atendido cerca de 355 mil homens e se tornaram símbolos do Red Light District, também conhecido como De Wallen.
Com quase 300 vitrines, o Distrito da Luz Vermelha é um dos pontos mais conhecidos da capital holandesa e concentra bordéis e motéis. Foi nesse cenário que as irmãs iniciaram a trajetória ainda jovens, antes dos 20 anos, motivadas por dificuldades financeiras e por relacionamentos marcados por violência.
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Louise foi a primeira a ingressar no ramo. Casada aos 17 anos e com três filhos, ela foi levada pelo próprio marido ao bairro, sob a justificativa de que precisavam de dinheiro. Inicialmente, acreditava que trabalharia por apenas dois anos. Após conseguir deixar o relacionamento, decidiu permanecer na atividade.
Algum tempo depois, Martine passou a trabalhar no mesmo estabelecimento. Clientes passaram a confundi-las, o que abriu espaço para novos serviços e ampliou a clientela. Ao longo dos anos, elas relatam ter atendido homens solteiros, casados e religiosos, além de participarem de diferentes tipos de solicitações feitas pelos clientes.
Na década de 1980, com recursos acumulados, as duas abriram o próprio bordel na Koestraat. Posteriormente, enfrentaram dificuldades com autoridades e administradores do setor e encerraram as atividades do estabelecimento. De volta às vitrines, fundaram o The Little Red, descrito como o primeiro sindicato independente de mulheres que vendem seus corpos.
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A aposentadoria ocorreu por volta dos 70 anos. Louise deixou o trabalho primeiro devido a artrite, que dificultava a rotina. Martine se afastou pouco tempo depois. Mesmo após deixarem a atividade, continuaram ligadas ao bairro, abrindo uma loja de souvenirs e atuando como guias em visitas turísticas promovidas pela Red Light District Tours.
A trajetória das irmãs ganhou projeção internacional com o documentário “Meet the Fokkens”, lançado em 2011, e com um livro autobiográfico. Ao longo dos anos, elas também relataram mudanças no perfil dos clientes e aumento da criminalidade organizada após a legalização dos bordéis em 2000.
Apesar da naturalidade com que falam sobre a profissão, afirmaram que não desejariam que as filhas seguissem o mesmo caminho. “Quebraríamos as pernas delas”, disseram, em tom de humor.

