
Meteorito marciano NWA 7034 revela corte polimíctico (Foto: Instagram)
A análise recente do meteorito marciano NWA 7034 identificou uma quantidade de água muito acima das expectativas iniciais, o que surpreendeu a comunidade científica. A amostra, que faz parte de um grupo raro de meteoritos vindos de Marte, passou por uma série de exames geológicos e químicos detalhados para determinar sua composição volátil e mineralógica. Nesse processo, os cientistas descobriram vestígios de H2O retido em estruturas cristalinas, indicando que o planeta vermelho pode ter abrigado água em momentos mais antigos e de forma mais significativa do que se supunha.
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O meteorito marciano NWA 7034 tem aproximadamente 4 bilhões de anos de idade, o que o coloca entre as amostras mais antigas já recuperadas de Marte. Durante as investigações, técnicas como espectrometria de massa com plasma acoplado indutivamente (ICP-MS) e análises por infravermelho foram empregadas para quantificar os isótopos de oxigênio e hidrogênio. Essa combinação de métodos permitiu aos pesquisadores calcular a proporção de água dentro dos minerais presentes no meteorito e, assim, inferir condições ambientais do passado marciano.
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O meteorito NWA 7034 foi encontrado no noroeste da África, em uma região de deserto que tem sido fonte de diversas rochas extraterrestres ao longo das últimas décadas. Esse tipo de meteorito é classificado como basalto polimíctico, porque contém fragmentos de diferentes rochas fundidas e recristalizadas. Sua composição é única ao incluir materiais que registram não apenas altas temperaturas de fusão, mas também processos de alteração aquosa em Marte primitivo. Essas características tornaram o NWA 7034 um objeto de estudo privilegiado para entender a evolução geológica e hidrológica do planeta vizinho.
Para detectar a água contida no meteorito, os cientistas recorreram à microscopia eletrônica de varredura e a técnicas de difração de raios X. Esses métodos revelam a presença de minerais hidratados, como a serpentina e a iddingsita, que se formam pela interação de rochas ígneas com fluidos aquosos. A identificação desses minerais no NWA 7034 demonstra que, há bilhões de anos, Marte teve fraturas e sistemas de circulação de água que alteraram sua crosta primitiva. Adicionalmente, as análises isotópicas de oxigênio ajudaram a distinguir a origem marciana dessas águas em relação à contaminação terrestre.
A descoberta de água no meteorito marciano NWA 7034 traz novas pistas sobre o potencial de habitação passada em Marte. A presença de fluidos em larga escala sugere que regiões superficiais do planeta podiam ter lagoas rasas ou fontes hidrotermais, ambientes nos quais microrganismos teriam maiores chances de sobrevivência. Esse cenário reforça o interesse em futuras missões robóticas e, possivelmente, tripuladas, voltadas à busca de formas de vida fossilizadas ou sinais de bioassinaturas em antigos leitos e rochas alteradas.
O estudo do meteorito marciano NWA 7034 segue em andamento, com laboratórios ao redor do mundo conduzindo análises isotópicas adicionais e experimentos de datação radiométrica. Os resultados conjuntos prometem refinar o entendimento sobre a cronologia dos eventos geológicos em Marte, bem como traçar um mapa mais preciso da interação entre rocha e água no planeta vermelho. Essas informações são fundamentais para futuras missões de exploração e para a construção de modelos robustos da evolução climática de Marte.

