
Comunidades indígenas e caiçaras resistem ao avanço da erosão costeira (Foto: Instagram)
Povos indígenas e caiçaras que vivem nas margens da ilha vêm enfrentando, nos últimos anos, uma crescente ameaça provocada pela ação contínua do mar, que corrói os poucos trechos de terra firme onde suas comunidades se estabelecem. As ondas mais intensas e a elevação do nível do mar têm desgastado dunas, falésias e praias, deixando casas instáveis, trilhas inundadas e trechos de estrada comprometidos. Povos indígenas e caiçaras lidam diariamente com o avanço da água sobre áreas de cultivo, manguezais e sítios arqueológicos, situação que afeta diretamente seus modos de vida tradicionais.
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Grande parte desse processo de erosão costeira é explicada por fatores naturais, como marés altas, correntes marinhas e tempestades sazonais, mas também é influenciada por mudanças climáticas. O atrito constante das ondas contra o talude litorâneo remove sedimentos, enfraquece a cobertura vegetal e provoca deslizamentos de terra. A falta de vegetação nativa nas encostas agrava o problema, uma vez que raízes de árvores e arbustos ajudam a manter o solo coeso. Técnicos em geologia costal explicam que a combinação de ventos fortes, ressacas intensas e correntes superficiais contribui para acelerar a perda de terreno.
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Em termos práticos, tanto os povos indígenas quanto as comunidades caiçaras dependem do solo costeiro para plantar hortaliças, colher frutos nativos e construir pequenas habitações de madeira e palha. A perda de terra firme implica na redução de áreas de pesca artesanal e de locais usados para cerimônias, festas e rituais de passagem. Para muitas famílias, a erosão interrompe o acesso a trilhas de saúde, escolas comunitárias e áreas de convivência, aumentando a insegurança alimentar e limitando a circulação de pessoas e mercadorias entre comunidades vizinhas.
Historicamente, ilhas litorâneas abrigam esses grupos há gerações, formando uma rica herança cultural ligada ao mar e à floresta costeira. Povos indígenas preservam conhecimentos sobre plantas medicinais e técnicas de manejo sustentável de recursos naturais, enquanto caiçaras mantêm tradições de embarcações de madeira e redes de pesca artesanal. A interferência da água salgada nas áreas habitadas ameaça, além dos territórios, a transmissão de saberes ancestrais, já que sítios arqueológicos e vestígios materiais são frequentemente arrastados pelas correntes.
Medidas de mitigação, como reflorestamento de manguezais, instalação de barreiras naturais com gabiões e acostamento de sedimentos, têm sido sugeridas por estudiosos da área. A restauração de vegetação nativa e o monitoramento geotécnico de falésias podem retardar o avanço do mar, mas exigem recursos técnicos e apoio institucional. A adoção de soluções baseadas na natureza, aliada à participação ativa das próprias comunidades, configura um caminho para a manutenção de territórios, culturas e modos de vida dos povos indígenas e caiçaras diante da erosão costeira.

