
Vestiário improvisado expõe fraude do “golpe da peneira” (Foto: Instagram)
Homens estão sob investigação por suspeita de aplicar o “golpe da peneira”, oferecendo vagas em times e contratos profissionais que nunca se concretizam. Segundo depoimentos colhidos até o momento, eles cobravam taxas elevadas de famílias e atletas em desenvolvimento sob a promessa de encaminhá-los à profissionalização de jogadores de futebol. As autoridades apuram movimentações financeiras e relatos de vítimas, com o objetivo de comprovar a ilicitude do esquema e responsabilizar criminalmente os envolvidos por estelionato esportivo e propaganda enganosa.
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O modus operandi do chamado “golpe da peneira” consiste em anúncios direcionados a jovens atletas e seus familiares, alegando parcerias com clubes tradicionais. Os investigados realizavam supostas avaliações em campo, com técnicos e olheiros, mas não mantinham qualquer vínculo oficial com as equipes citadas. Após a inscrição, que incluía valores para materiais, uniformes e deslocamento, não havia convocação para treinamentos reais nem encaminhamento a departamentos de base, deixando as famílias sem qualquer prova de um processo seletivo legítimo.
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No universo do futebol, uma peneira legítima é um procedimento gratuito ou de baixo custo promovido por agremiações para descobrir novos talentos. Geralmente, clubes avaliam drible, finalização, resistência e aspectos táticos em centros de treinamento oficiais, com a presença de olheiros e comissão técnica. Porém, quando essa seleção é terceirizada por indivíduos sem autorização ou vínculo comprovado, o risco de fraude dispara. O “golpe da peneira” aproveita o entusiasmo de jovens atletas e se utiliza indevidamente de nomes de times conhecidos para conferir falsa credibilidade.
Casos similares já foram registrados em diferentes estados do país, sobretudo em regiões com tradição no futebol de base, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em algumas situações, candidatos chegaram a viajar centenas de quilômetros, custeando passagens e hospedagem, para participar de avaliações realizadas em locais improvisados. Mesmo após a promessa de profissionalização de jogadores de futebol, os selecionados nunca recebiam contratos nem retornavam os contatos, evidenciando o caráter enganoso da proposta.
Agora, com o inquérito em andamento, os homens suspeitos estão sendo rastreados pelas autoridades, que buscam identificar o valor arrecadado com a promessa de profissionalização de jogadores de futebol e obter depoimentos das vítimas. O objetivo é quantificar o número de pessoas lesadas e analisar movimentações bancárias suspeitas. Conforme prevê o Código Penal, o crime pode ser enquadrado como estelionato, cuja pena varia de um a cinco anos de reclusão, além de multa, e a responsabilização criminal e civil dos suspeitos está em avaliação.
Especialistas recomendam cautela aos pais e jovens interessados em testes de futebol. É fundamental verificar a procedência do evento, o histórico dos organizadores e solicitar documentos que comprovem vínculo com federações, confederações ou clubes oficiais. Buscar referências de participantes anteriores e não efetuar pagamentos antecipados sem garantias reduz consideravelmente o risco de golpes, preservando o sonho de construir uma carreira no futebol profissional.

