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Pesquisa da USP mostra que rinovírus persiste em amígdalas e adenoides e pode ser transmitido por assintomáticos

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Rinovírus persiste em amígdalas e adenoides mesmo em pacientes assintomáticos, revela estudo da USP (Foto: Instagram)

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo (USP) indica que o rinovírus, responsável por boa parte dos casos de resfriado comum, pode permanecer alojado em amígdalas e adenoides. O estudo revela ainda que o vírus tem potencial de transmissão mesmo quando o hospedeiro não apresenta sintomas típicos de infecção, como coriza, tosse ou febre. Esses achados trazem nova luz sobre possíveis reservatórios do patógeno em pacientes aparentemente saudáveis e podem influenciar medidas de controle de surtos respiratórios.

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Os pesquisadores da USP analisaram amostras de tecido de amígdalas e adenoides removidas em cirurgias de rotina, comparando pacientes com histórico recente de sintomas respiratórios e aqueles sem queixas aparentes. Utilizando técnicas de biologia molecular, como reação em cadeia da polimerase (PCR), foi identificada a presença de material genético do rinovírus em cerca de 30% das amostras, inclusive em indivíduos assintomáticos. Esses resultados sugerem que estruturas do sistema linfático regional — amígdalas e adenoides — podem funcionar como reservatórios silenciosos do agente viral.

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O rinovírus pertence à família Picornaviridae e inclui mais de 100 sorotipos que infectam predominantemente as vias aéreas superiores. Em geral, o contágio ocorre por meio de gotículas de saliva e contato com superfícies contaminadas, seguido de contato das mãos com nariz, boca ou olhos. Até então, a duração típica de detecção viral em secreções respiratórias ficava em torno de uma a duas semanas. A identificação de material genético viral em tecidos linfáticos sugere que o período de persistência pode ser bem maior do que se imaginava.

As amígdalas e adenoides fazem parte do anel de Waldeyer, grupo de tecidos linfoides que atua na defesa inicial contra microrganismos. Habitualmente, a remoção cirúrgica dessas estruturas ocorre em pacientes com infecções de repetição ou problemas respiratórios crônicos. A pesquisa da USP levanta a hipótese de que, mesmo após a fase aguda da infecção ou em ausência de sintomas, pode haver carga viral suficiente para infectar outras pessoas.

Do ponto de vista epidemiológico, a descoberta tem implicações importantes para o entendimento da dinâmica de transmissão de vírus respiratórios em ambientes coletivos, como escolas, creches e hospitais. A possibilidade de portadores assintomáticos disseminarem o rinovírus por longos períodos reforça a necessidade de medidas preventivas contínuas, incluindo higiene das mãos, uso de máscaras em situações de risco e a adequada desinfecção de superfícies.

Por fim, a pesquisa da USP destaca a importância de investigações mais aprofundadas sobre a persistência de patógenos em reservatórios celulares e teciduais. Futuras análises poderão avaliar se essa permanência ocorre em outros vírus respiratórios e como a resposta imunológica local nos tecidos linfoides influencia a transmissão silenciosa de agentes infecciosos.

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