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Hiran fala sobre representatividade LGBTQIAPN+ e seu casamento com Rick Nogueira

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Os artistas LGBTQIAPN+ frequentemente abordam a representatividade no palco, e com o rapper baiano Hiran não foi diferente. Ele participou do MVF Awards, em São Paulo, e gerou repercussão nas redes sociais ao afirmar que quebrou “uma maldição” por ser um homem preto e gay, casado, no cenário musical.

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Após a repercussão, ele conversou exclusivamente com a coluna Fábia Oliveira sobre sua carreira, representatividade e seu casamento com o DJ Rick Nogueira.

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Como foi subir ao palco do MVF Awards? O que essa apresentação representa na sua carreira hoje? O fim de um lindo ciclo do momento mais lindo da minha vida, que foi escrever um álbum para meu marido e dedicar tudo a ele. Não havia melhor forma de encerrar essa era.

Você pensou em alguma mensagem específica ao montar esse show para o evento? Sim: falar de amor num tempo de ódio, sobre a quebra de maldição que os homens pretos gays enfrentam ao se relacionar. Eu amei e fui amado, me casei e sou o homem mais feliz que podia ser. Queria que isso transparecesse.

O que você acha que diferencia sua performance ao vivo de outros artistas da cena? Eu sou eu mesmo. Sei lá. Sou o melhor de mim, minhas vivências, que são únicas. É tudo que tenho a oferecer.

Sendo um homem gay no rap, como você percebe o impacto da sua presença dentro de um gênero historicamente marcado por padrões mais conservadores? É uma luta que parece eterna, mas que não me frustra mais. Hoje, estou seguro em mim mesmo e nas minhas escolhas, e estou muito feliz de seguir esse caminho.

Você e o Henrique oficializaram a união no fim do ano. Há planos de aumentar a família? Sim!

Quais são os desafios que vocês enfrentam como casal, tanto na vida pessoal quanto profissional? Um casal de homens pretos que se amam e que expõem tanto o amor que sentem um pelo outro é uma afronta à sociedade machista e homofóbica que nos rodeia. Sinto que aprendemos a nos proteger e a ser felizes dentro de nossa casa e onde somos bem-vindos.

Você já sentiu que precisou se afirmar mais por ser quem você é? Em que momentos isso ficou mais evidente? O tempo todo. Desde que lancei minha primeira música. Sempre sinto, do início até hoje, que para ter algo preciso ser mais, trabalhar mais, entregar mais. Hoje até gosto desse desafio, me motiva.

Que tipo de mudança você gostaria de ver na indústria musical em relação à diversidade? Hoje, só sonho que cada um possa ser e fazer o que ama sem precisar se explicar demais.

Como ser um artista preto e baiano molda sua música e sua visão de mundo? A partir de suas vivências e de suas experiências negativas e positivas vindas de ser quem se é. Pelo menos é assim que me vejo e vejo as pessoas ao meu redor.

A Bahia tem uma força cultural enorme. De que forma isso aparece no seu som e estética? Eu sou fruto disso, sou influenciado por isso diariamente, trabalho com artistas baianos na maioria das vezes e sou nascido e criado aqui. Não tem como fugir.

Você sente que ainda existe um eixo dominante (Rio–São Paulo) na música? Como você lida com isso sendo de Salvador? Acho que Salvador ganhou seu lugar. Hoje, moro aqui e vou ao sudeste quando preciso, fazem questão de me levar, valorizam o fato de eu ser daqui. Acho que existe um caminho de mudança em curso que é muito bonito. E é lindo fazer parte disso.

Olhando para o início da sua carreira, o que você diria para o Hiran de anos atrás? Não tenha tanta ansiedade e siga seus instintos.

Qual foi o momento mais decisivo ou transformador na sua caminhada até aqui? Ser meu próprio empresário, abrir minha empresa, ter meus funcionários e ser dono das minhas obras.

Como você equilibra autenticidade artística com as demandas do mercado? É uma balança complexa e me sinto num bambolê. Uma hora um pouco mais pra lá, uma hora um pouco mais pra cá. Mas vamos indo e descobrindo no caminho.

De onde vêm suas principais inspirações hoje? Das coisas que vivo e que sinto no mais interno do meu viver.

Como você enxerga a evolução do seu som ao longo dos anos? Eu sou um camaleão e um ariano impulsivo. Faço o que sinto que tenho que fazer e o que está no meu peito no momento. É sempre muito específico e, às vezes, muito diferente do que veio antes. Isso não me incomoda, acho que soma.

Como você vê a cena do rap e da música urbana LGBTQIAPN+ no Brasil atualmente? Ainda excludente e com muito horizonte a ser percorrido. Muito lugar para ser ocupado e muita coisa para ser feita.

Quais são os próximos passos para sua carreira depois desse momento no MVF Awards? Disco novo, nova era, novo começo, novo show e uma nova experiência de vida! Meu novo disco chega ao mundo no próximo dia 17. Estou feliz.

Qual foi o maior desafio pessoal que a música te ajudou a atravessar? A depressão.

Como você quer ser lembrado dentro da música brasileira? Como alguém que veio do interior da Bahia, contra toda expectativa e que, por fim, tomou as rédeas da própria carreira e decidiu fazer uma história contando os episódios da sua vida em seus álbuns, decidindo por si e tentando inspirar pessoas no caminho a fazer o mesmo.

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