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Crise política no Rio: sem governador, vice e comando na Alerj

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Principais políticos envolvidos no impasse institucional do Rio de Janeiro (Foto: Instagram)

A crise institucional no Rio de Janeiro entrou em um novo capítulo na última semana, após uma série de decisões judiciais, renúncias e disputas internas pelo poder. Sem governador, vice e com a Assembleia Legislativa em impasse, o estado enfrenta uma situação inédita: um vácuo simultâneo nos três níveis de sucessão, forçando o Judiciário a assumir temporariamente o Executivo.

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Apesar de parecer improvável, o cenário não surgiu de repente. A crise se desenvolveu em etapas, com renúncias, decisões judiciais e disputas que culminaram no vazio institucional.

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THIAGO PAMPOLHA: O PRIMEIRO MOVIMENTO
Eleito vice-governador em 2022, Pampolha deu início à crise ao deixar o cargo em maio de 2025 para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), dois dias após ser indicado pelo governador Cláudio Castro. Sua saída abriu a primeira lacuna: o estado ficou sem substituto imediato para o chefe do Executivo.

CLÁUDIO CASTRO: O CENTRO DA CRISE
Em uma manobra estratégica para disputar o Senado e evitar a perda direta do cargo por decisão judicial, o governador Cláudio Castro (PL) renunciou na segunda-feira (23/3), às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde foi condenado por abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2022.

O caso se originou de investigações sobre o uso eleitoral de estruturas do estado, como a Fundação Ceperj, em um esquema que, segundo o tribunal, distorceu a disputa eleitoral. O ex-governador foi declarado inelegível até 2030. O julgamento, realizado na terça-feira (24/3), teve um placar de 5 a 2, com divergência dos ministros Nunes Marques e André Mendonça. Sem vice, a renúncia criou uma dupla vacância no Executivo.

RODRIGO BACELLAR: O TERCEIRO NA LINHA DE SUCESSÃO
O terceiro na linha de sucessão seria o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). No entanto, Bacellar já estava afastado do cargo desde 3 de dezembro de 2025, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto de uma investigação por obstrução de Justiça, devido a suspeitas de vazamento de informações sigilosas para favorecer a facção Comando Vermelho (CV). Ele foi preso pela Polícia Federal (PF), mas liberado três dias depois com medidas cautelares.

No mesmo julgamento que tornou Castro inelegível por oito anos, o mandato de deputado estadual de Bacellar foi cassado. Ele foi preso novamente pela PF na sexta-feira (27/3) pelo vazamento de informações sigilosas, obstruindo as investigações de um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos.

Sem o ex-deputado na linha sucessória, o impasse se ampliou. A solução passou a ser reorganizar o próprio Legislativo. A convocação de novas eleições para a presidência da Alerj tornou-se urgente e decisiva. Antecipando essa situação, deputados estaduais já haviam aprovado regras específicas, em um rito acelerado e sob intensa disputa política, para viabilizar o processo. Aliados do pré-candidato a governador e prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), levaram o caso ao STF. A solicitação foi aceita pelo ministro Luiz Fux, que suspendeu os trechos que permitiam a realização de votação aberta, nominal e presencial na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e que estabeleciam em apenas 24 horas o prazo de afastamento dos cargos para os interessados em concorrer.

A decisão de Fux foi para o plenário virtual para ser referendada pelos outros ministros e a maioria já tinha divergido dele. Mas, o ministro Cristiano Zanin pediu destaque, suspendendo a votação, que agora deverá recomeçar no plenário físico. Zanin também suspendeu as eleições indiretas para o governo do Rio até que o caso seja discutido no plenário.

DOUGLAS RUAS: A SOLUÇÃO QUE TRAVOU
A votação para o novo presidente da Alerj chegou a acontecer de forma extraordinária na quinta-feira (26/3) e elegeu o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), ex-secretário de Cláudio Castro e pré-candidato ao governo do estado. Único candidato, Ruas foi eleito por 45 votos a 0.

Parlamentares de oposição boicotaram a votação e sequer registraram presença ou voto. O PSD, partido de Eduardo Paes, acionou o Tribunal de Justiça do Rio para tentar impedir a disputa. Além da sigla, o PDT também ingressou com mandados de segurança pedindo a invalidação do pleito.

A eleição foi anulada pela Justiça do Rio de Janeiro horas depois. Na decisão, a desembargadora Suely Lopes Magalhães considerou irregular a sessão da eleição após entender que a eventual eleição só deve ocorrer após o reprocessamento dos votos das Eleições 2022, para o cargo de deputado estadual na vaga de Rodrigo Bacellar.

ENTENDA A CRONOLOGIA

  • Maio de 2025 – Thiago Pampolha deixa o governo para assumir vaga no TCE
  • Dezembro de 2025 – Rodrigo Bacellar é afastado da presidência da Alerj
  • 12/3 – Alerj aprova regras para eleição ao mandato-tampão do RJ
  • 18/3 – Fux suspende regras de eleição indireta para mandato-tampão no Rio
  • 23/3 – Cláudio Castro renuncia
  • 24/3 – TSE torna Castro inelegível e cassa mandato de Bacellar
  • 26/3 – Douglas Ruas (PL) é eleito presidente da Alerj
  • 26/3 – TJRJ anula sessão que elegeu novo presidente da Alerj
  • 27/3 – STF tem maioria por voto secreto em eleição de mandato-tampão no RJ
  • 27/3 – Zanin suspende eleições indiretas para governador do Rio de Janeiro e manda discussão para o plenário físico

RICARDO COUTO DE CASTRO: JUDICIÁRIO ASSUME O GOVERNO
Com o Executivo e o Legislativo travados, o atual presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, assumiu o cargo de governador em exercício.

Após decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, a realização da eleição indireta pelos parlamentares fluminenses fica suspensa até nova decisão da Corte, que diverge sobre pontos centrais do processo.

Entre eles, está o próprio modelo de escolha do novo governador: parte dos ministros defende a eleição indireta pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, enquanto outra ala sustenta que o cenário exige eleição direta, com participação da população.

Também há impasse sobre as regras da disputa, como o prazo para desincompatibilização de candidatos e o formato da votação — se aberta ou secreta. O relator, Luiz Fux, votou pelo sigilo, sob o argumento de proteger parlamentares de pressões externas, enquanto outros ministros discutem os limites dessa exceção.

Com o pedido de destaque feito por Zanin, o julgamento será reiniciado no plenário físico do STF, sem data definida. Até lá, o estado permanece sob comando interino do Judiciário e sem definição sobre quem, de fato, escolherá o próximo governador.

EDUARDO PAES E ANDRÉ CECILIANO: OPOSIÇÃO QUE PRESSIONA
Nos bastidores, a disputa pelo mandato-tampão já começou e não se limita ao grupo que orbitava o governo de Cláudio Castro.

Apontado como possível candidato, André Ceciliano (PT-RJ) deixou o cargo de secretário Especial de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais do Governo Lula na última sexta-feira (20/3). Ex-presidente da Alerj, ele é concorrente direto do atual secretário de Estado de Cidades e pré-candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas (PL).

Fora do núcleo, Eduardo Paes acompanha o desenrolar da crise em posição estratégica. Prefeito da capital e pré-candidato ao Palácio Guanabara, ele intensificou agendas públicas e articulações políticas nas últimas semanas, de olho no redesenho do cenário eleitoral. Seu partido, o PSD, foi protagonista nas ações judiciais que questionam as regras da eleição para o mandato-tampão.

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