
Moedas de real simbolizam incertezas na economia brasileira diante da alta do petróleo (Foto: Instagram)
A guerra iniciada em 28 de fevereiro deste ano complicou as previsões para a economia em 2026. As incertezas estão principalmente ligadas à significativa variação dos preços do petróleo, que têm mostrado uma tendência de alta.
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Desde o início do conflito, o preço do barril de petróleo tipo brent, referência internacional, ultrapassou os US$ 120. Na semana anterior ao conflito, estava em torno de US$ 70. Na última sexta-feira (27/3), o preço estava em US$ 106,25, com um aumento de 4,28% em 24 horas.
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Os analistas e órgãos que monitoram a economia percebem diferentes impactos da guerra na economia brasileira. Em 13 de março, a Secretaria de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda revisou suas projeções para 2026. No cenário mais conservador, a inflação aumentaria 0,1 ponto percentual, fechando o ano em 3,7%, enquanto o crescimento do PIB permaneceria em 2,3%.
O Banco Central (BC) elevou a previsão de inflação para 2026 de 3,5% para 3,9%, devido à guerra no Oriente Médio. A previsão foi divulgada no Relatório de Política Monetária (RPM) nesta quinta-feira (26/3). A projeção para o PIB foi mantida em 1,6%.
“As condições financeiras tornaram-se mais restritivas desde o relatório anterior, refletindo principalmente os grupos petróleo e risco. O Indicador de Condições Financeiras (ICF), calculado pelo BC, mostra que as condições financeiras em março de 2026 estavam mais restritivas do que em dezembro de 2025. O aumento do ICF desde o último relatório foi principalmente devido ao aumento do preço do petróleo e do Chicago Board Options Exchange Volatility Index (VIX)”, afirma o relatório do BC. O VIX é um indicador financeiro que mede as condições de mercado a curto prazo, conhecido como “Índice do Medo”.
O mercado também está revisando suas expectativas para 2026. O relatório Focus, do Banco Central, que coleta opiniões de analistas semanalmente, aumentou a projeção da inflação, que antes mostrava tendência de queda. Em quatro semanas, a expectativa passou de 3,91% para 4,17%.
Os analistas estavam otimistas quanto à redução da Selic, a taxa básica de juros, e acreditavam que poderia fechar 2026 em 12,13% ao ano. Contudo, a última consulta do BC revelou uma expectativa de 12,50% em 31 de dezembro deste ano. Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano.
COMO SÃO FEITAS AS PREVISÕES
Carla Beni, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que as previsões são baseadas em modelos que calculam a partir de dados inseridos.
“São modelos matemáticos com variáveis ponderadas. Quando se diz que o mercado financeiro precificou a guerra, na verdade, ele não consegue fazer isso de imediato, é um processo gradual devido à instabilidade”, explica.
A especialista destaca que novos fatores podem influenciar o cenário e alterar significativamente as previsões feitas. “Tentar prever agora seria, no mínimo, presunçoso”, afirma.
“Se houvesse atentados durante a Copa do Mundo nos Estados Unidos, não há como precificar isso hoje. Portanto, as previsões para investidores, como o que acontecerá com o dólar ou a bolsa, são frágeis devido à instabilidade”, justifica.


