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Queda de ponte no DF obriga moradores a desviar 23 km para chegar ao destino

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Placa de ‘Ponte Interditada’ sinaliza o bloqueio que isola moradores no DF (Foto: Instagram)

O atoleiro que prendeu um ônibus escolar na quarta-feira (25/3) em uma rota improvisada entre o Paranoá e o Sobradinho dos Melos e Capão da Onça, no Distrito Federal, é apenas o mais recente incidente de um problema persistente.

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A alguns quilômetros dali, uma ponte destruída bloqueia completamente a passagem dos moradores, transformando tarefas simples em desafios diários. No local, não há passagem segura para carros, motos ou ambulâncias.

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A ponte, carinhosamente apelidada de “Ponte do Seu Joaquim” pelos moradores, cedeu no início deste ano. Desde então, quem vive do outro lado se vira como pode: a pé, carregando compras, botijões de gás e até percorrendo longas distâncias para acessar o básico.

Mesmo os moradores que precisam se deslocar de carro de Sobradinho dos Melos, no Paranoá, para o Capão da Onça são obrigados a fazer um desvio de 23 quilômetros, que seriam economizados se a ponte estivesse em funcionamento. Além disso, enfrentam a insegurança de outra ponte, feita de madeira irregular e sem manutenção, para chegar ao local do atoleiro.

“Para comprar um pão, a gente anda 12 quilômetros”, resume uma moradora.

A aposentada Maria José da Conceição Ramos, de 67 anos, que vive sozinha desde a morte do marido, encontrou no quadriciclo uma forma de manter alguma autonomia, mas nem mesmo esse veículo resolve completamente o problema.

“Eu vou até aqui, deixo o quadriciclo e sigo a pé. Agora não dá pra passar. Se passar mal lá em cima, morre, porque não tem como chegar socorro”, relata.

O medo não é exagerado ou sem fundamento. Segundo ela, o marido sofreu um infarto durante a madrugada, em 2025, e só conseguiu ser socorrido porque a ponte ainda permitia passagem.

Sem a ponte, moradores se arriscam em rotas alternativas precárias — como a estrada de terra onde o ônibus escolar atolou nesta semana. Em dias de chuva, o caminho transforma-se em lama.

“Se o ônibus daquela altura atola, imagina os carros”, comenta um dos moradores.

A alternativa mais comum tem sido atravessar a pé. Para quem mora mais afastado, o trajeto pode levar minutos, quando é possível passar.

Aos 73 anos, Helena Anselmo Januário carrega as compras em um carrinho improvisado: “É tudo assim, arrastando. Tem que trazer tudo no braço”, conta. Ela diz que sai de casa apenas uma vez por semana, quando consegue: “Se precisar de mais coisa, não dá. A gente fica sem.”

A travessia no local nunca foi simples. Segundo Joaquim José Moreno, de 78 anos, que dá nome à ponte, a estrutura sempre foi improvisada.

“Quando eu cheguei aqui, em 1990, já era de madeira. Duas madeirinhas no meio, a gente passava se equilibrando”, relembra. Nos anos, os próprios moradores faziam reparos como podiam. Há cerca de dois anos, uma reforma foi realizada, mas a estrutura voltou a ceder após as chuvas.

“Ficamos seis anos esperando arrumar. Quando arrumaram, não durou”, comenta Carlos Jean Moreno, um dos nove filhos de Joaquim.

A situação é tão antiga que já virou até motivo de ironia entre os vizinhos: em 2024, eles chegaram a fazer um “aniversário” simbólico da ponte, como forma de protesto pela demora nas obras.

A região é composta por chácaras e áreas produtivas. Há criação de animais, produção de ovos, hortaliças e outros alimentos que dependem do escoamento diário.

“Tudo passa por aqui. Produção, gente, tudo. Agora ficou travado”, relata um morador.

Mesmo com pontos de parada de ônibus ao longo da estrada, não há transporte público regular na região. Antes, apenas o ônibus escolar fazia o trajeto, e agora consegue passar somente pelo desvio, que os distancia a mais de 20km da passagem.

Os moradores relatam que já buscaram ajuda diversas vezes, mas dizem não ter retorno efetivo do poder público. Segundo eles, há promessas de reconstrução da ponte, mas sem prazo concreto: “A gente cobra, mas ninguém responde”.

O Metrópoles tentou entrar em contato com a Administração Regional do Paranoá, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.

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