
Cão e gato revelam laços emocionais (Foto: Instagram)
A ideia de que apenas humanos são capazes de sentir emoções complexas está sendo desafiada pelas descobertas científicas. Atualmente, pesquisadores indicam que diversas espécies, desde mamíferos até aves, possuem habilidades emocionais e cognitivas avançadas, embora não sejam idênticas às dos humanos.
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De acordo com Camila Braga, professora de Biologia no Colégio Objetivo de Brasília, existem fatores que ajudam a explicar essa proximidade emocional entre diferentes espécies. “Hoje, reconhece-se que várias espécies têm uma complexidade cognitiva e emocional elevada”, afirma.
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Entre essas espécies estão grandes primatas, como chimpanzés, bonobos e orangotangos, além de golfinhos e elefantes, famosos por sua memória, cooperação e laços sociais.
Essa complexidade não se limita aos mamíferos. Aves como corvos e papagaios também impressionam. Elas são capazes de resolver problemas, usar ferramentas e até demonstrar compreensão básica de conceitos, o que sugere um tipo de inteligência comparável à de alguns primatas.
A CONVIVÊNCIA COM EMOÇÕES HUMANAS
Animais domésticos, como cães e gatos, desenvolveram a habilidade de reconhecer emoções humanas devido à proximidade com seus tutores. Eles conseguem interpretar expressões faciais, tons de voz e até mudanças químicas no corpo humano.
Para o professor Victor Maciel, do Colégio Galois, essa percepção tem uma base biológica. “Considerando as semelhanças entre os órgãos sensoriais humanos e de outros animais, a ciência já considera a existência de sensação de emoções em animais”, explica. A domesticação também teve um papel crucial, com humanos selecionando animais mais sociáveis e sensíveis ao longo do tempo.
Especialistas afirmam que muitos estudos indicam que animais podem demonstrar comportamentos associados a emoções complexas, como empatia, consolação e até respostas ao luto. Camila Braga destaca que, embora seja difícil afirmar com certeza o que os animais sentem, certos comportamentos são consistentes.
Victor Maciel reforça a ideia de empatia ativa: “Elefantes, primatas e cães foram observados consolando membros do grupo que estão sofrendo, reduzindo seu próprio estresse ao ajudar”.
No caso dos “ciúmes” em cães, a ciência sugere uma explicação mais cautelosa, ligada à disputa por atenção e manutenção de vínculos, e não necessariamente a uma emoção idêntica à humana.
EMOÇÕES OU INSTINTO?
Uma dúvida comum é se sentimentos como raiva ou vingança existem no reino animal. Para os especialistas, a resposta varia de acordo com o tipo de emoção.
“Animais são capazes de sentir raiva, que é uma emoção ligada a uma parte do sistema nervoso central que eles também possuem”, explica Victor Maciel. Já a vingança requer planejamento e intenção prolongada, algo mais difícil de comprovar em animais.
Do ponto de vista evolutivo, emoções desempenham papéis importantes para a sobrevivência, como fortalecer laços sociais, facilitar a cooperação e ajudar na resposta a ameaças.
Camila Braga resume essa ideia afirmando que “as semelhanças entre respostas emocionais humanas e de outros animais indicam que emoções têm raízes evolutivas profundas”.
Compreender que animais podem sentir e reagir emocionalmente muda a forma como nos relacionamos com eles, não apenas em termos de afeto, mas também de responsabilidade.
A ciência ainda não afirma que animais sentem exatamente como nós. No entanto, as evidências mostram que eles percebem, reagem e, em muitos casos, compartilham estados emocionais de forma significativa.
No final, a questão talvez não seja mais se os animais sentem emoções, mas como essas emoções se manifestam em cada espécie.


