
Monitoramento de óleo no litoral via Instagram (Foto: Instagram)
Em 2019, o litoral nordestino enfrentou um dos maiores desastres ambientais, com vazamentos de óleo atingindo suas águas. Mesmo em 2021, vestígios desse desastre ainda eram encontrados no litoral brasileiro. Esses eventos prejudicam o ecossistema local, contaminando a cadeia alimentar, ameaçando a vida marinha e causando prejuízos econômicos às áreas afetadas.
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Para monitorar novos vestígios e prevenir futuros vazamentos, pesquisadores brasileiros sugerem o uso de uma ferramenta simples e acessível: o Instagram. Através da busca por hashtags em português relacionadas às manchas de óleo, especialmente as ocorridas no Nordeste, os cientistas identificaram registros do desastre entre 2022 e 2023.
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O estudo, pela primeira vez, criou um protocolo para buscar, filtrar e georreferenciar postagens na rede social, permitindo mapear e monitorar áreas afetadas. "O monitoramento de derramamentos de petróleo no Brasil ainda é um grande desafio, e as redes sociais podem ser ferramentas complementares importantes para ampliar a disponibilidade de informações", afirma Lorena Nascimento, principal autora do estudo. A pesquisa, conduzida pelo Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi publicada na revista Ocean and Coastal Research em 30 de março.
Para testar a eficácia do método, os cientistas localizaram postagens sobre os desastres no Nordeste de 2019 e 2020, além de outros incidentes entre 2022 e 2023, usando 50 hashtags como #ManchasDeOleo e #OleoNoNordeste. As imagens foram então filtradas para verificar a presença de óleo na areia, água ou biota marinha, com data e localização extraídas das legendas, comentários ou geolocalização.
Os nomes dos usuários e links originais foram omitidos para proteger a privacidade. Foram identificados 312 registros em 170 locais durante o desastre no Nordeste e 162 em 111 pontos entre 2022 e 2023, cobrindo 11 estados brasileiros. Algumas postagens revelaram óleo em áreas anteriormente desconhecidas.
"Através das informações do Instagram, conseguimos identificar sistematicamente grandes derramamentos de petróleo e ocorrências esporádicas ao longo da costa brasileira", destaca Lorena. Além disso, os pesquisadores estão desenvolvendo um projeto com inteligência artificial e aprendizado de máquina para monitorar o ecossistema marinho usando dados de redes sociais e notícias online.


