
Monotrilho da Linha 17-Ouro cruza o Rio Pinheiros com a Ponte Estaiada ao fundo na noite de estreia (Foto: Instagram)
A Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo foi oficialmente aberta nesta terça-feira (31/3). Na parte da tarde, passageiros tiveram a chance de viajar, pela primeira vez, entre as estações Morumbi e Aeroporto de Congonhas, um trecho de cerca de 7 quilômetros, completado em aproximadamente 20 minutos.
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No início do trajeto, os passageiros podem avistar o Rio Pinheiros e a Ponte Estaiada ao fundo. O trem passa próximo à estrutura, que é um dos marcos modernos da capital paulista.
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Próximo ao Brooklin, é possível observar casas que antes faziam parte das comunidades ao longo da antiga Avenida Água Espraiada, agora chamada de Jornalista Roberto Marinho, com tráfego intenso à tarde, como mostram as imagens.
O vídeo do trajeto termina com o trem seguindo em direção a Congonhas, sem passar pela Estação Washington Luiz, que ainda está em construção. Durante o percurso, é possível ver as curvas acentuadas e a inclinação significativa.
De acordo com o governo de São Paulo, o serviço deve atender cerca de 100 mil passageiros quando a operação regular começar em outubro deste ano. Atualmente, a operação transitória ocorre de segunda a sexta, das 10h às 15h.
O monotrilho inclui sete das oito estações abertas ao público: Morumbi (conexão com a Linha 9-Esmeralda), Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo (integração com a Linha 5‑Lilás), Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas.
A Estação Washington Luís não fará parte do início da operação, com previsão de integração para junho, quando novos trens serão incorporados.
Com um intervalo de 7 a 14 minutos entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Morumbi, os trens terão supervisão de funcionários a bordo, uma prática comum para novas linhas.
PASSAGEIROS CELEBRAM ECONOMIA DE TEMPO
A inauguração do monotrilho da Linha 17-Ouro atraiu centenas de curiosos para a zona sul de São Paulo. A primeira viagem aberta ao público reuniu um grupo animado com a novidade e jovens que poderiam ter feito a primeira viagem quando crianças, caso a obra não tivesse um atraso de 12 anos.
De maneira geral, a empolgação dominou quem participou da abertura ao público. Antes mesmo das 16h, horário marcado para o início da circulação, um grupo já se aglomerava na plataforma da Estação Morumbi.
Márcio Bruno, 42, assistente, e Natan Uemura, 27, profissional de serviços gerais, foram ao local apenas para acompanhar a inauguração. “Já andei no monotrilho da linha prata, na zona leste. Pensei: ‘é a primeira vez, abertura, vai parar na estação Congonhas. Vamos ver como vai ser'”, disse Natan ao Metrópoles.
Para o estudante Pedro Santos, 30, a nova operação representa um atalho. Ele estima economizar cerca de 30 minutos no trajeto até a faculdade. A economia de tempo também beneficiará o agente de aeroporto Elton Conceição, 34, que costuma fazer várias baldeações e ainda pegar um ônibus para chegar a Congonhas. Com o monotrilho, ele poderá desembarcar diretamente no trabalho.
HORÁRIO DE PICO
Mesmo em operação assistida, o monotrilho enfrentou seu primeiro horário de pico no início da noite, já que a Linha 17-Ouro funcionou nesta terça, excepcionalmente, das 16h às 20h.
O resultado foi um grande número de passageiros, especialmente perto da integração com a Linha 5-Lilás. Com apenas duas composições em operação, o volume de passageiros se concentrou.
A partir desta quarta (1º/4), a operação assistida seguirá o horário inicialmente previsto, das 10h às 15h.
LINHA PROMETIDA PARA A COPA
A Linha 17-Ouro foi prometida em 2009, em um projeto conjunto entre a Prefeitura de São Paulo, liderada na época por Gilberto Kassab (PSD), e o governo estadual, então sob José Serra. No total, seis projetos estavam em andamento simultaneamente, incluindo a Linha 15-Prata.
A previsão era que a linha fosse entregue em 2014, quando o Brasil sediaria a Copa do Mundo, como uma solução mais barata, rápida e moderna para o congestionamento esperado. No entanto, conforme técnicos analisavam os projetos, alguns foram descartados ou alterados.
O monotrilho da Linha 17 enfrentou mais problemas: o percurso total seria de 21,5 quilômetros, com custo de cerca de R$ 6,5 bilhões, corrigidos pela inflação. As obras começaram oficialmente em 2012, enfrentando uma série de problemas, como paralisações, mudanças no trajeto e no contrato, atrasos no cronograma e troca de acusações entre a empresa licitada e o Metrô.
A construtora Andrade Gutierrez, escolhida por licitação para realizar as obras, abandonou o projeto em 2015, um ano após a previsão de entrega pelo governo. Nessa época, menos de 30% do projeto estava concluído, e a linha já havia sido reduzida à metade, com os 6,7 quilômetros entregues atualmente.
A construção foi retomada apenas em 2023. Nas últimas semanas, o sistema avançou, com a chegada do primeiro trem à estação Aeroporto de Congonhas, durante a fase de testes. Atualmente, a linha está 80% concluída.


