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CPI do Crime Organizado foca no caso Master após fim da CPMI do INSS

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Senadores conferem documentos durante sessão da CPI do Crime Organizado no Senado Federal (Foto: Instagram)

Com o término da CPMI do INSS, as ações dos parlamentares voltadas ao caso do Banco Master passaram a ser centralizadas na CPI do Crime Organizado. Na última terça-feira (31/3), o colegiado aprovou a convocação de dois ex-governadores e uma nova rodada de quebras de sigilo de pessoas e empresas ligadas a Daniel Vorcaro.

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As investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS ficaram em segundo plano na fase final da CPMI presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG). No ano anterior, a comissão havia aprovado a convocação de Vorcaro, cerca de um mês após a primeira prisão do banqueiro, em meio a denúncias de fraudes em créditos consignados.

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Viana agendou a oitiva de Vorcaro, pautou e aprovou quebras de sigilo e chegou a armazenar dados sigilosos do empresário em uma sala-cofre do Senado. Esta foi interditada por decisão do ministro André Mendonça, do STF, após suspeitas de vazamento de informações privadas do banqueiro. Vorcaro, entretanto, não foi ouvido pelo colegiado.

No relatório final, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), Vorcaro e o ex-diretor do Master, Augusto Lima, foram incluídos na lista de indiciamentos. O parecer, contudo, foi rejeitado e a CPMI do INSS terminou na madrugada do último sábado (28/3) sem um relatório conclusivo.

Apesar do desfecho sem resultados práticos da CPMI do INSS, o caso Master segue em destaque na CPI do Crime Organizado. Originalmente surgido durante a megaoperação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, em outubro do ano passado, o colegiado passou a investigar minuciosamente as atividades de Daniel Vorcaro.

O relator da CPI, senador Alessandro Veira (MDB-SE), afirmou que seu parecer final, a ser apresentado e votado até 14 de abril, terá um capítulo inteiro dedicado ao Caso Master. Segundo ele, o relatório deve evidenciar a atuação da instituição de Vorcaro como um “canal de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos”.

“Essa é a linha que seguiremos, em conformidade com o plano de trabalho aprovado no início das atividades”, declarou o senador ao Metrópoles.

CPI DO CRIME ORGANIZADO EM NÚMEROS

  • 311 requerimentos protocolados;
  • 181 requerimentos votados;
  • 109 requerimentos pendentes de votação;
  • 21 requerimentos foram prejudicados, retirados ou anulados;
  • 217 ofícios expedidos;
  • 123 documentos recebidos.

REQUERIMENTOS APROVADOS SOBRE O MASTER
Inicialmente, a CPI do Crime Organizado, presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), aprovou requerimentos que miraram a atuação de ministros do Supremo, como a quebra de sigilo da Maridt, empresa associada ao ex-relator do caso na Corte, Dias Toffoli, e a convocação de dois irmãos do magistrado.

A empresa da família de Toffoli, antiga proprietária do resort Tayayá, no Paraná, é suspeita de realizar transações financeiras com um fundo de investimento ligado ao Banco Master. A quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático aprovada pela CPI foi anulada pelo ministro Gilmar Mendes, que alegou “desvio de finalidade” e “abuso de poder”.

Um dia antes, o ministro André Mendonça já havia decidido que a presença dos irmãos de Toffoli no colegiado não era obrigatória.

Apesar do revés judicial, a CPI continua focada no caso Master. Na última terça, o colegiado aprovou as convocações dos ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Também foi aprovada a quebra de sigilo de Fabiano Campos Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, além de informações sobre voos de jatinhos do banqueiro e da empresa de táxi aéreo Prime Aviation.

A oitiva de Ibaneis busca esclarecer as condições que levaram às negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, enquanto Castro deve ser questionado sobre o crime organizado no Rio e o investimento de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência em títulos de alto risco da instituição de Daniel Vorcaro.

Alessandro Vieira suspeita que decisões dos ex-governadores podem ter favorecido a atuação do grupo de Vorcaro.

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