
Reunião da CPI do Crime Organizado no Senado Federal (Foto: Instagram)
A CPI do Crime Organizado está buscando uma prorrogação de 60 dias junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a pouco mais de uma semana do prazo final dos trabalhos. Para isso, o grupo pretende se afastar das investigações relacionadas ao Banco Master, que dominaram a pauta nos últimos meses.
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O relator da comissão, Alessandro Vieira (MDB-SE), está liderando a estratégia para superar a resistência do senador amapaense em estender os trabalhos durante o ano eleitoral, como ocorreu com a CPMI do INSS.
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Vieira afirmou ao Metrópoles que as fraudes envolvendo Daniel Vorcaro estão dentro do escopo da comissão, mas que agora o foco será nas milícias e facções criminosas. Ele planeja se reunir com Alcolumbre nos próximos dias para discutir o assunto.
A CPI do Crime Organizado foi criada após a megaoperação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) e a operação Carbono Oculto, que investigou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além de mudar o foco das investigações, Vieira defendeu a criação de uma comissão de inquérito específica para investigar o Banco Master. No entanto, o pedido está parado no Congresso desde o início do ano e não foi lido por Alcolumbre, o que levou a oposição a judicializar o caso no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
Vieira já discutiu a prorrogação com Alcolumbre antes de formalizar o pedido e notou que ele está "preocupado" com o ano eleitoral. O presidente do Senado tem criticado a espetacularização das comissões de inquérito nos últimos anos, e sua resistência aumentou com a inclusão do caso Master.
A CPI já analisou cerca de 100 requerimentos para investigar as fraudes relacionadas ao banco de Daniel Vorcaro, com mais de 50 focados em oitivas e aproximadamente 30 pedidos de quebra de sigilo de empresas e pessoas envolvidas.
Vieira é responsável por muitos desses requerimentos. Sua abordagem sobre o possível envolvimento de ministros do STF levou o escritório de advocacia Barci de Moraes, onde Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, é sócia, a entrar com uma ação judicial contra ele por suposta calúnia e difamação.
Apesar da mudança de foco, o relator já havia indicado que dedicaria um capítulo do relatório final ao caso Master, descrevendo a empresa de Daniel Vorcaro como um "canal de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos". Sem a prorrogação, a CPI tem até 14 de abril para votar e aprovar um relatório.


