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Pai e avô de vítimas de chacina no DF relata desorientação durante julgamento

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Réus durante o primeiro dia de julgamento da maior chacina do DF (Foto: Instagram)

"Fiquei desnorteado como pai e avô". Essa foi a declaração de Manoel da Rocha Marques, última testemunha a depor no primeiro dia do julgamento da maior chacina do Distrito Federal, encerrado por volta das 20h desta segunda-feira (13/4). O júri será retomado nesta terça-feira (14/4), às 9h, e deve continuar ao longo da semana.

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Manoel é pai de Cláudia da Rocha Marques, 54 anos, e avô de Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19 — ambas vítimas da chacina que resultou na morte de 10 pessoas da mesma família, em janeiro de 2023. Em seu depoimento no Tribunal do Júri, ele compartilhou a dor de ter perdido as duas e a angústia vivida durante os dias em que estavam desaparecidas.

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Durante o depoimento, Manoel mencionou que tentou entrar em contato com as vítimas várias vezes antes de registrar um boletim de ocorrência. “No primeiro dia, liguei inúmeras vezes. No segundo, comecei a temer por algo muito difícil de aceitar”, relatou.

Sem respostas, ele foi até a casa onde elas moravam. “Estava toda revirada, sem ninguém. Meu coração batia cada vez mais forte”, contou.

Ele também afirmou que não suspeitava de ninguém. “Quem seria capaz de cometer algo tão monstruoso?”, questionou. No total, 23 testemunhas foram chamadas no processo, com seis já ouvidas no primeiro dia de julgamento e outras 17 ainda a depor ao longo da semana.

A lista inclui familiares das vítimas, testemunhas civis e agentes das forças de segurança — como policiais civis de Goiás (PCGO) e do Distrito Federal (PCDF), um policial rodoviário federal (PRF) e delegados que conduziram a investigação. Também está prevista a oitiva de um adolescente, que teria participado dos crimes.

O CRIME

A bárbara chacina ocorreu em janeiro de 2023, mas o planejamento começou três meses antes, em outubro de 2022.

A participação de cada um no crime segundo o MPDFT:

Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores, Gideon morava na chácara das vítimas prestando serviços gerais. Ele confessou que, junto a Horácio, planejou o crime e alugou a casa onde as vítimas foram mantidas antes de serem assassinadas.

Horácio Carlos Ferreira Barbosa: assim como Gideon, morava na chácara prestando serviços gerais. Horácio participou diretamente dos assassinatos, fingindo ser vítima durante um falso assalto; sequestrando as vítimas; enviando mensagens para os familiares se passando por elas; e enterrando, esquartejando e incendiando corpos e veículos.

Carlomam dos Santos Nogueira: envolveu-se no plano criminoso e participou dos sequestros e execuções. É o autor do tiro que matou Marcos Antônio, autodeclarado dono da chácara. Chegou a ficar foragido após as prisões de Gideon e Horácio, mas se entregou dias depois.

Fabrício Silva Canhedo: além de atuar nos sequestros, foi responsável pela vigilância do cativeiro onde as vítimas ficaram e pela ocultação do carro de Cláudia, “segunda esposa” de Marcos Antônio.

Carlos Henrique Alves da Silva: último a ser preso, participou da rendição das vítimas. Tentou fugir pelo telhado ao ser localizado por policiais.

Os cinco réus enfrentam acusações de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor. Se condenados, podem pegar mais de 70 anos de prisão cada. As penas somadas podem chegar a 358 anos.

MOTIVAÇÃO

Durante o depoimento ao tribunal do júri, um investigador da PCDF relatou que a questão da posse da chácara como motivação do crime levantou dúvidas, já que um dos envolvidos sabia que a propriedade não era de Marcos.

“Executaram para que os familiares não buscassem os outros. Marcos tinha posse da chácara, mas estava em disputa judicial, Gedeon sabia disso”, declarou.

No final, segundo o policial, quase todos os envolvidos confessaram parcialmente os crimes. Conforme relatou o agente, Gedeon e Horacio apresentaram a posse da chácara como motivação, mas o policial suspeita de um ódio desenvolvido na convivência entre Marcos e os envolvidos.

De acordo com a investigação da polícia, em 18 dias, Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira, Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves assassinaram as 10 pessoas. O crime também contou com a participação de um adolescente.

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