
Estresse no trabalho reflete no intestino (Foto: Instagram)
O estresse intestinal é mais frequente do que se imagina. Situações de pressão emocional, ansiedade ou tensão podem alterar o funcionamento do sistema digestivo, resultando em sintomas como dor abdominal, diarreia ou constipação.
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De acordo com a gastroenterologista Linnet Alonso Almeida, do Hospital Brasília, existe uma conexão direta entre o cérebro e o sistema digestivo, conhecida como eixo intestino-cérebro. Essa interação explica por que as emoções podem influenciar o funcionamento do intestino.
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“O estresse provoca a liberação de hormônios que afetam diretamente o sistema digestivo, podendo alterar a motilidade intestinal, a secreção de substâncias digestivas e causar irritação no trato gastrointestinal”, explica a especialista.
O estresse no intestino ocorre devido à ativação de mecanismos hormonais para lidar com situações de ameaça. Entre eles, está o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de hormônios como o cortisol.
Conforme o gastroenterologista Bernardo Oliveira, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, essa ativação provoca diversas mudanças no organismo.
“O estresse pode causar inflamação intestinal, alterar a resposta imunológica e modificar a produção de substâncias importantes para o funcionamento do intestino”, afirma. Essas alterações também podem impactar a microbiota intestinal, essencial na digestão, imunidade e até na regulação do humor.
Os sintomas do estresse no intestino podem variar bastante. Em alguns casos, a motilidade intestinal acelera, levando a diarreia. Em outros, ocorre o oposto: redução da atividade intestinal e constipação.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Diarreia ou prisão de ventre;
- Dor ou desconforto abdominal;
- Aumento da sensibilidade intestinal;
- Sensação de inchaço;
- Alterações na digestão.
Além disso, o estresse pode aumentar a permeabilidade intestinal, facilitando a entrada de toxinas e microrganismos e favorecendo processos inflamatórios.
O estresse no intestino pode agravar doenças já existentes, como a síndrome do intestino irritável (SII). Embora fatores emocionais não sejam a causa direta, eles podem intensificar os sintomas.
Segundo Linnet, pacientes com síndrome do intestino irritável associada a ansiedade ou depressão tendem a ter piora do quadro durante períodos de maior tensão emocional. Alterações inflamatórias, mudanças na microbiota e maior sensibilidade intestinal podem contribuir para crises mais frequentes.
Controlar o estresse no intestino envolve mudanças no estilo de vida e cuidados com a saúde mental. A adoção de hábitos saudáveis pode ajudar a melhorar tanto o equilíbrio emocional quanto o funcionamento digestivo.
Entre as principais recomendações dos especialistas estão:
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Beber bastante água;
- Praticar atividade física regularmente;
- Dormir bem;
- Evitar consumo excessivo de álcool e cigarro.
Oliveira destaca que terapias voltadas ao controle emocional também podem ajudar a quebrar o ciclo entre estresse e sintomas intestinais.
“Psicoterapia, meditação, yoga e atividade física são estratégias importantes para reduzir o impacto do estresse no organismo e melhorar o funcionamento intestinal”, afirma.
Para os especialistas, entender a relação entre mente e sistema digestivo é essencial para cuidar da saúde de forma integral. Afinal, quando o equilíbrio emocional é afetado, o intestino costuma ser um dos primeiros órgãos a sentir os efeitos.


