
BRB sob suspeita: aquisições de R$14 bi em carteiras do Master (Foto: Instagram)
A diretoria sob o comando de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, estava instruindo as áreas técnicas do banco a negociar a compra de carteiras de crédito do Banco Master em um ritmo acelerado, atingindo até R$ 1 bilhão por semana. Durante esse período, Costa estava em tratativas para receber R$ 146 milhões em imóveis de Daniel Vorcaro.
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A Polícia Federal considera essas transações como propinas pagas pelo controlador do Master ao presidente do BRB, para que o Banco de Brasília continuasse adquirindo carteiras e garantindo liquidez à instituição de Vorcaro. Documentos exclusivos obtidos pelo Metrópoles revelam mudanças nos procedimentos internos do BRB em relação à compra de carteiras de crédito do Credcesta.
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As carteiras, que eram organizadas para não ultrapassar R$ 750 milhões e assim evitar o Conselho de Administração, eram sempre aprovadas por unanimidade pela diretoria colegiada, composta por Costa e diretores nomeados por ele. Nas reuniões iniciais, em junho e agosto de 2024, os diretores recebiam planilhas com projeções de cenários e informações detalhadas sobre as aquisições.
Com o tempo, as diligências foram relaxadas: não se realizava mais batimento de mercado, os números deixaram de ser calculados e pareceres antigos eram reciclados, muitas vezes após a aprovação das transações. O pagamento ao Master ocorria antes mesmo da existência dos pareceres.
A partir de 5 de março de 2025, a diretoria de Costa passou a aprovar uma compra e, simultaneamente, a determinar a aquisição de mais carteiras. Foram identificados dez despachos consecutivos com o mesmo texto, solicitando a aquisição de R$ 750 milhões adicionais em carteiras de crédito consignado.
Esse período de compras intensas coincide com as negociações entre Costa e Vorcaro. Em mensagens obtidas pela PF, Costa menciona a Vorcaro sobre mostrar um apartamento para sua esposa e pergunta sobre a disponibilidade de carteiras de varejo. A PF acredita que a estrutura societária para ocultar a relação de Costa com os imóveis foi autorizada por Vorcaro entre 8 de janeiro e 10 de maio, quando ele ordenou a suspensão das operações.
Durante esse período, o BRB adquiriu R$ 10,780 bilhões em carteiras de crédito do Master, sempre em lotes de até R$ 750 milhões. Entre 5 de março e 17 de julho, quando a diretoria liderada por Costa formalmente ordenava a busca por mais carteiras, o BRB comprou R$ 13 bilhões em carteiras do Master, chegando a R$ 14 bilhões considerando compras autorizadas nesse período.
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