
Absolvido de homicídio, Carlos Henrique sai da prisão no DF (Foto: Instagram)
Carlos Henrique Alves da Silva, que foi absolvido pelo Tribunal do Júri no caso conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, deixou a prisão nesta segunda-feira (20/4).
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Após seis dias de julgamento, o júri concluiu que Carlos não esteve envolvido em homicídios, mas o considerou responsável pelo sequestro de Thiago, que levou à entrega do jovem aos executores. O alvará de soltura de Carlos Henrique foi emitido no domingo (19/4).
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Para a defesa, a decisão foi justa e proporcional. “Foram seis dias de trabalho árduo. Conseguimos mostrar o envolvimento dele e o júri foi participativo e justo. Nem todos acreditavam que a justiça seria feita assim, mas Carlos Henrique teve justiça”, afirmou o advogado Antônio Sardinha.
Conforme a advogada Vanessa Ramos, a acusação contra Carlos Henrique era de homicídio qualificado, mas a defesa provou que ele não participou dos homicídios: “Para estar no Tribunal do Júri, é necessário dolo. [Carlos] nem estava presente quando Thiago morreu. Por isso, ele foi absolvido do homicídio e condenado a dois anos pelo sequestro.”
A defesa de Carlos explicou que, como ele já cumpriu mais de dois anos de prisão preventiva, a lei determina sua liberdade.
PARTICIPAÇÃO
Carlos Henrique foi o último réu preso durante as investigações da chacina ocorrida em janeiro de 2023. Em depoimento, ele afirmou ter sido contratado para sequestrar Thiago, roubar seu celular e obter dinheiro de aplicativos bancários, recebendo R$ 5 mil por isso.
No dia do crime, Carlos disse que foi levado por Carloman dos Santos Nogueira à chácara das vítimas. “Ficamos escondidos até Thiago chegar. Amarramos e vendamos ele. Horácio, que fingia ser vítima, se levantou. Fiz sinal de que o trabalho estava concluído para Gideon e fui embora,” relatou.
Carlos afirmou que, após o assalto, Horácio Barbosa o deixou em casa e entregou R$ 2 mil. “Depois disso, nunca mais tive contato com ninguém. Cobrei os R$ 3 mil restantes de Carloman, mas ele não respondeu”, disse.
O réu só soube que Thiago estava entre as vítimas da chacina quando foi preso.
“Foi o fim para mim. Perdi minha esposa, minha mãe está doente com diabetes e não posso ajudar. Perdi tudo por R$ 5 mil”, desabafou, alegando nunca ter matado ninguém.
PENAS SOMADAS CHEGAM A 1.258 ANOS
O Tribunal do Júri foi concluído na noite de sábado (18/4). Além de Carlos, foram condenados Gideon Menezes, Horácio Barbosa, Carloman dos Santos e Fabrício Canhedo.
As penas totalizam 1.258 anos, 2 meses e 8 dias de prisão, sendo a maior de 397 anos para Gideon Batista Menezes.
A sentença foi dada mais de três anos após o crime bárbaro entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, que exterminou 10 membros de uma mesma família.
RETROSPECTIVA DO JÚRI
O julgamento começou na segunda-feira (13/4) às 10h e foi até as 20h, com seis testemunhas ouvidas.
No segundo dia, terça-feira (14/4), 12 testemunhas, entre familiares e policiais, foram ouvidas até as 21h.
No terceiro e quarto dias, os réus depuseram detalhando suas participações no crime.
No quinto dia, defesa e Ministério Público debateram teses e acusações, cada um com 3h20 para falar.
No sexto dia, após 11h de votação de 500 quesitos, os jurados definiram a participação dos réus. A sentença foi redigida e lida em Plenário.
Entenda o caso
Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados planejaram tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e extorquir a família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano era matar Marcos e sequestrar familiares.
Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo rendeu Marcos, sua esposa e filha, roubando R$ 49,5 mil. As vítimas foram levadas para um cativeiro em Planaltina, onde Marcos foi morto.
No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas para fornecer senhas de celulares e contas. Os criminosos se passaram pelas vítimas para atrair outros familiares.
Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas e levadas ao cativeiro.
O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu em 12 de janeiro. Ele foi rendido e mantido em cativeiro. Com o celular de Thiago, atraíram sua esposa, Elizamar, e os três filhos do casal para Cristalina (GO), onde foram mortos e seus corpos queimados.
Decidiram então eliminar as demais vítimas para evitar descobertas. Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), mortas e queimadas. Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos e escondidos em uma cisterna. Parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
DISPUTA POR TERRENO DE R$ 2 MILHÕES
Um terreno no Itapoã (DF), avaliado em R$ 2 milhões, teria motivado os assassinos a matar 10 pessoas. O local possui cachoeira privativa e cerca de cinco hectares.
O plano era matar toda a família e tomar o imóvel, sem deixar herdeiros. O terreno não pertencia à vítima, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, que foi o primeiro morto. A chácara é alvo de disputa judicial desde 2020.
Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e assassinados um a um, incluindo Marcos, Renata, Gabriela, Thiago, Elizamar, e seus filhos Rafael, Rafaela e Gabriel, além de Cláudia e Ana Beatriz.
EXECUÇÃO DO CRIME
A primeira ação foi em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, Renata e Gabriela foram rendidos. R$ 49,5 mil foram roubados e as vítimas levadas a um cativeiro em Planaltina. Marcos foi morto e as mulheres ficaram vivas.
Os criminosos usaram celulares das vítimas para atrair outros familiares. Cláudia e Ana Beatriz foram sequestradas e levadas ao cativeiro.
Thiago foi atraído e rendido. Com o celular dele, os criminosos chegaram a Elizamar, que foi atraída com os filhos pequenos.
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